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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Edição - Falanges de Malandras - Malandras e Malandrinhas do Morro.

Olá a todos, meus queridos amigos seguidores, hoje falarei um pouco sobre a falange de Malandras e Malandrinhas do Morro, atendendo todos os pedidos, tanto por email, quanto por mensagens, e comentários na nossa página na rede social facebook.


Antes de adentrarmos os mistérios dessa falange, preciso dizer algo muito importante. A primeira Maria Navalha, a nossa querida senhora chefe de falange, nasceu, criou - se, viveu toda a sua boêmia num dos Morros cariocas. Então, é perfeitamente plausível dizer, que a Falange do Morro, foi uma das primeiras a ser criadas dentro da Linha de Malandras da Umbanda. Nenhuma das falanges é acima, ou abaixo, todas são iguais, entretanto, a do Morro é realmente uma das mais antigas, devido a vivência encarnatória da Chefe de Falange. Muitos já leram sobre a mesma, alguns copiaram meu texto e alteraram, mas não muda o fato, de que ela nasceu no Morro da Providência, e muitas de suas falangeiras vem dos Morros do RJ. Não impede que venham de outros estados, e quando acolhidas pela Linha recebam a Falange Morro, mas quando elas nos relatam histórias, principalmente para mim, eu mergulho num Rio Antigo, numa época boêmia, mais difícil para nós mulheres.

As Malandras e Malandrinhas do Morro são mulheres, meninas, senhoras, espíritos com vidas, vindas e faces da comunidade, elas são a alma das favelas, com toda cultura, força e superação que possa existir, podem ser sérias, boêmias, falantes, caladas, discretas, mas de algo nunca duvide, são as mais sinceras, são as falangeiras de Navalha que falam "rasgando", papas já nem existem aqui. Malandras que tem nome espiritual de Navalha já falam tudo o que tem pra falar, ali na hora, sem rodeios, malandras vindas dos Morros, tem essa característica, falam sem temor, ligadas a verdade, odeiam mentiras, não gostam de enganos, ou é 8 ou é 80.

Quando o nome vem vinculado ao Navalha, são pouco vaidosas, uma roupa simples, um bom chapéu, uma cerveja e alegria já lhes basta, em geral gostam de ter suas coisas bem separadas, se tem objetos ritualísticos, já se dão por satisfeitas. Quando os médiuns querem agradar, cobram humildade, sua grande cobrança é dedicação, é fé, é luta, nunca conseguiram nada de graça, lutaram por absolutamente tudo, então também não ajudam ninguém de "mão beijada".

Das Malandras da linha, são as que falam mais "malandreado", tem gírias, ginga, trejeitos e o estigma de mulher batalhadora da comunidade, foram grandes líderes das favelas, líderes de grupos independentes, sempre lutando para afirmar sua palavra e a força da mulher.


Pouquíssimas que conheci trabalham para questões amorosas, normalmente são grandes incentivadoras para que cada um busque seu trabalho, sustento e suor, gostam que homens e mulheres lutem pelo pão de cada dia, sem esmorecer pelas batalhas, fortalecem seus médiuns nos obstáculos, tornando -os obstinados e corajosos. Amam ajudar consulentes, trabalham muito para mulheres, falam da independência, da auto estima, da beleza interior, valorizam muito o coração das pessoas e sua honestidade. Atuam muito no empoderamento de pessoas excluídas, marginalizadas, oprimidas e humilhadas (principalmente mulheres, crianças e adolescentes), ajudam em questões de emprego, negócios, jurídicas e no combate as demandas, são boas protetoras trabalhando muito com Zé Pelintra do Morro, Zé Malandrinho do Morro, Zé Malandro do Morro e ás vezes (raramente) com Exus Mirins. Das falangeiras da linha, são as que mais trabalham com homens, velhos parceiros de outras realidades.

Características:

Indumentária:
Gostam muito de Preto, branco, e ás vezes vermelho. Muitas usam calças, algumas usam saia, quando acompanhada do nome espiritual Navalha, costumam usar mais calças.
Gostam muito de camisas, de todas as falanges, é uma das que mais gosta de camisa mesmo.
Algumas são femininas, outras são mais simples, trabalhando independente da roupa.

Bebidas: Cerveja branca, cerveja preta, Whisky, conhaque, cachaça, varia muito.

Comidas: Quase todas da Malandragem, algumas pedem que em suas Festas seja servido Feijoada para os consulentes, clientes, as pessoas da casa, pois é uma das suas comidas de quando encarnada, gosta de celebrar em meio ao povo, não é de muita frescura, assumem orgulho de serem quem são e do povo que tanto amam. As comidas preferidas são os petiscos, principalmente do barzinho, do buteco rs (Exemplos: Salame, ovo de codorna, linguiça calabresa).

Fumo: Gostam de quase todo o tipo de cigarro, de tão simples que são, mas costumam usar filtro vermelho, filtro branco, cigarro de palha e charutos.

Religiosidade: Muitas foram frequentadoras de "Macumbas", foram hostilizadas por isso inclusive, e por ironia do destino ou força da espiritualidade, se tornaram espíritos que nos ajudam, exatamente como pediam em suas encarnações, muitas tem fé em São Jorge, Ogum e Oyá

Fundamentos: Naipe de Paus, baralhos, dados brancos, dados vermelhos, dados pretos, samba (principalmente o samba de roda), chapéu, punhais, navalhas, velas brancas, bebida e a fumaça de seus pitos.

Pontos Cantados:

"Lá no Morro sim, que é lugar de tirar onda,
é bebendo cachaça, fumando um bagulho e jogando ronda."

"Vocês tão vendo aquela casa pequenina, lá no alto da colina, que mandei fazer.
É lá que Malandra mora, otária não tem moradia.
Ó joga a chave meu bem,
que aqui fora está frio, se eu cheguei tarde e perturbei teu sono, a casa é minha e eu chego a hora que eu quiser."

"Ele subiu o Morro, só pra jogar rosas,
Ele subiu o Morro, só pra jogar rosas,
Seu Zé Pelintra jogou, seu Zé Pelintra jogou rosas pra ela,
Seu Zé Pelintra como vai, como passou,
Avise o movimento,
Maria Navalha chegou!
Ela desce o morro, também desce a colina,
Se quiser falar com ela, vai á primeira esquina."

"Maria Navalha comprou um barraco de madeira,
E foi morar com sua Dama, lá no Morro da Mangueira"

"Quando ela risca, seu ponto no Morro,
A terra come,
Quando ela risca, seu ponto no Morro,
A terra come,
E cuidado com a Mironga ,
Cuidado com a Mironga,
Da Navalha de Malandra."

" Está vendo aquele Cruzeiro lá no Morro ?
Por ele Santa Tereza também chorou,
Se vestiu de homem pra fugir de emboscada,
Mas Navalha foi enganada por palavras de amor ."

"É ave Maria no Morro,
Malandrinha está lá,
É ave Maria na Encruza,
Malandrinha está lá,
Ela abriu Portão de Ferro,
Malandrinha em qualquer lugar."

“Eu vou subir a colina, só pra ver o que tem lá em cima,
Lá em cima tem Jogo de ronda, pra gente jogar,
Lá em cima tem homem para namorar,
Lá em cima tem choro, de quem sofre para valer,
Lá em cima o coro come e ninguém vê,
É corujona, não se mete na vida de ninguém,
É Navalha, não é otária, trata todo bem.”

Suas mensagens sempre irão conter humildade, fortalecimento, coragem e vitórias sob as adversidades.


Espero que gostem,
Salve as Malandras e Malandrinhas do Morro,
Salve a Malandragem !

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