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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Edição - Falanges de Malandras - Malandras e Malandrinhas da Lapa.


(Pintura da Artista Maria do Carmo da Hora)

Olá meus queridos seguidores, amigos, irmãos de axé, hoje vou finalizar a Edição de Falanges sobre as Malandras, as grandes falangeiras de Maria Navalha na Linha da Malandragem da Umbanda. Por incrível que pareça, a minha Malandra, Dona Maria Navalha, é da falange da Lapa, e conforme vieram as intuições, percebi que sua falange ficou para o último texto. Não que isso seja ruim, mas por questão de aprendizagem, humildade e para todos sempre aprendermos, nenhuma falange é melhor que a outra, como nenhuma linha da umbanda também, todas tem seu valor, trabalho e imensa luz. Agora vamos ao texto.

As Malandras e Malandrinhas da Lapa são espíritos que se afinizaram com o bairro boêmio, o seu entorno e tudo o que existe lá, mesmo aquelas que não viveram as suas vidas propriamente na Lapa, viveram nos Morros próximos, no Centro do RJ, nos bairros adjacentes, enfim, sempre estiveram envolvidas de alguma forma com a boêmia carioca. Aquelas raras entidades que não tiveram vivência histórica na Lapa, são entidades que viveram coisas semelhantes em outros lugares, e isso traz um vasto grupo de espíritos com coisas em comum. As Malandras que vem de lá, viveram em diferentes em épocas no entorno, mas a maioria teve suas últimas encarnações, bem depois dos Arcos serem construídos. Eu já postei na página, a história dos Arcos é muito antiga, para os que apreciam história, vale a pena dar uma lida.
As Malandras da Lapa tem humor a meio termo, mas em geral são muito alegres, humildes, festivas e sempre transmitem mensagens para que as pessoas batalhem pelo que querem, passam uma energia de felicidade, de sorte, de êxito, adoram manifestações populares e jogos, cada uma tem suas particularidades, algumas gostam de baralho, outras gostam de dados, mas tem infinitas formas de oracular e ajudar seus consulentes.
Das Manifestações populares e culturais, apreciam o samba de raiz, samba de roda, o samba de gafieira e até o Partido Alto, são muito amantes de músicas, reuniões, comemorações do povo, gostam também da capoeira de angola, o jongo e muitas outros. Sempre foram boas de briga, defendiam prostitutas, a si mesmas, tendo o gênio forte, arrumavam confusões com a policia, com os cafetões, com os donos de bar, com homens desrespeitosos na rua, com marido que batia na esposa, enfim, paciência não é o forte delas. Sempre frequentavam bares, botecos, pé sujos, prostíbulos e afins nas noites a fora, entretanto, conheci algumas que não se orgulham de terem sido "prostitutas" ou "cafetinas". Dentre outras, tem as lavadeiras, domésticas, escravas, donas de bar, cantoras da noite, etc. Muitas passaram fome, foram diminuídas, oprimidas, mas nunca perderam sua dignidade, apesar das humilhações. sofridas, nunca desistiram de seus sonhos ou de lutar por seus objetivos. Sempre lutaram por sua honra, pela honra das mulheres, crianças e as comunidades marginalizadas, tem muita firmeza de palavra e caráter, ou é ou não é. (Experiência própria).



Das gatunas da noite, temos as que realizavam pequenos golpes, batiam carteiras, se misturavam aos meninos de rua, corriam pelas vielas, becos, ruas da Lapa e lugares próximos, algumas foram grandes apostadoras, roubavam nos dados, nas rodas de Baralho, enganaram homens, usaram drogas, aprontaram com policiais e enganaram as pessoas da alta sociedade. Uma das primeiras falanges a juntar - se as falangeiras de Maria Navalha, pelo propósito do trabalho, pelo enredo de suas vidas, pela caridade a ser feita, pela pureza da umbanda, por ajudar os mais humildes, por orientar o povo do terreiro de chão batido, por sua fé, devoção, carinho e respeito aos cultos. As conselheiras de Maria, as senhoras da Lapa são o que são, muito fortes, amigas, porém muito exigentes, rígidas e ponderadas no caminho correto, que é o caminho da luz, benevolência e caridade. 


Características:
Cores: Podem usar branco e vermelho, ou vermelho e branco, vamos nos ater a esse fundamento, umas usam mais vermelho, outras mais a cor branca. Isso também é um fundamento e tem diferença.

Indumentária: Branco, vermelho e raramente preto. Saias com babados, saias sem babados, varia ter muita ou pouca roda nas saias, apreciam as blusas listradas (característica comum na linha), mesmo quando são Navalhas, costumam ser vaidosas em alguns aspectos, batom vermelho, argolas (dourada, prata ou aço), cordões (normalmente religiosos, exemplo: São Jorge), calça branca, camisa vermelha, calça vermelha, camisa branca, ou o mais raro, calça preta e camisa branca. Também tem um grande amor, força, mistério e honra por seus chapéus, costumam imantar eles antes de colocar na cabeça  e atender os consulentes, assistidos, etc. Podem ser vermelhos com fita branca, brancos com fita vermelha, vermelhos com fita preta, totalmente brancos, totalmente vermelhos e raramente pretos. Podem ou não usar lenços, por baixo dos chapéus. Não exigem flores, ornamentações nos chapéis, copos ou afins, mas aceitam, caso médiuns assim o façam. 

Bebidas: Cerveja branca, cerveja preta, Whisky, conhaque, rabo de galo, vinho, cachaça, cachaça com mel (meladinha/melado) e o coquinho. Normalmente preferem copos lisos, de bar, simples, também gostam de tulipas transparentes, raramente bebem em taças, mas aceitam as tulipas, taças e copos decorados, por carinho aos seus médiuns.

Comidas: Apreciam muito a linguiça frita com cebola, batata calabresa, ovo de codorna e o salame, porém, aceitam qualquer oferenda dos devotos, se for dada com fé, amor e dedicação.

Fumo: cigarro de filtro vermelho, cigarro de filtro branco, cigarro de palha e algumas raras fumam cigarro doce.

Religiosidade: Variam bastante na questão fé de suas vidas encarnadas, algumas foram "macumbeiras", outras catimbozeiras, outras feiticeiras, muitas tem conhecimento dos povos negro (principalmente bantu), o catolicismo branco e a pajelança indígena. Mas em sua raiz ancestral, tem maior ligação com as magias africanas, macumbas dos Morros cariocas e da "Pequena África". Algumas foram benzedeiras em suas comunidades, curandeiras e adeptas dos cultos antigos.

Fundamentos: Baralhos, Naipe de Copas, Naipe de Ouros, dados vermelhos, dados brancos, dados coloridos, chapéus, lenços, sinuca, pimentas, bengalas, fitas, diversos tipos de samba, jongo, capoeira (Angola), navalhas, punhais, canivetes, moedas (atuais e antigas), dendê, flores e muitas outras coisas.

Eu espero que vocês tenham gostado,
Muito Axé das Malandras e Malandrinhas da Lapa a nos abençoar.
Minha eterna gratidão a minha senhora da boêmia,
Salve a fina flor da Malandragem.
Salve a Malandra Maria Navalha da Lapa !

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