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Rádio da Malandragem - Blog Malandros e Malandras;

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Malandra Rosa dos Arcos da Lapa

Malandra Rosa dos Arcos da Lapa


A Malandra Rosa dos Arcos da Lapa, é uma das primeiras Malandras que se apresentou na Umbanda, isso não faz muitos anos. Ela é uma grande trabalhadora da seara umbandista, sempre muito elegante, trabalha com seu chapéu, sua ginga e tem seus mistérios em ambas falanges. Ou seja, ela trabalha com a energia da falange das Rosas e a força da Falange da Lapa. Normalmente Malandras da Lapa, são muito amigas de suas médiuns, acompanham, aconselham, gostam de trabalhar, mas adoram sambar. Tem muita boêmia essa Malandra, meus respeitos a Malandra Rosa !!!

Salve a Malandra Rosa dos Arcos da Lapa !!!

Salve a Malandragem !!!!


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Edição - Falanges de Malandras - Falange Cabaré na Linha da Malandragem

Falange Cabaré na Linha da Malandragem:

As Malandras desta falange são muito belas, sedutoras, alegres e grandes parceiras de suas médiuns. As Cabarés são entidades muito falantes, amigas dos consulentes, de risada fácil e boa jogatina. Adoram baralhos, gostam de jogar baralhos no terreiro de umbanda, acertam a vida dos assistidos assim, não são de fazer rodeios, falam tudo "na lata". Gostam de jogar ronda, e apreciam os naipes de ouros e copas, faz parte do seu fundamento. 

Foram muito humilhadas quando encarnadas, a maioria das entidades tem sofrimento, elas tem muito também. Sempre foram abusadas, porém, tentavam tirar proveito das situações, tinham casos com homens da alta sociedade e não gostavam do estigma mulher da rua, já que se consideravam damas da noite e gatunas nos bordéis de antigamente. 

Trabalham na Linha da Malandragem, auxiliando ás pessoas com problemas financeiros, emprego, aventuras amorosas e no meio das enrascadas, protegem suas médiuns até onde podem, mas se o médium errar muito e decair espiritualmente, são as primeiras a afastar-se. Não por maldade, mas como forma de aprendizado. São muito elegantes no Terreiro, sua presença logo é notada, gostam de saias, chapéu de boa qualidade, piteiras, lenços, perfumes e jóias. Adoram dançar, sambam como ninguém e quando estão sambando, todos os olhares se voltam para elas. Podem ou não trabalhar com a Falange das Rosas.

Salve as Malandras do Cabaré !!!!!

Salve a Malandragem !!!!!!!



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Relação de Maria Navalha e outros Malandros.


Olá Seguidores, meus respeitos a todos.

É com muita humildade, zelo e cuidado que abordarei o tema; Antes de tudo quero deixar claro, que não sou a dona da verdade, e vocês tem o direito de discordar ou concordar com o que escrevo, acho interessante os que me mandam emails, uns discordam e apresentam argumentos. Agradeço muito a todos que me mandam email. Estou devendo uma postagem á uma seguidora, sobre o Malandro Camisa Preta, espero em breve conseguir escrever, me desculpe pela demora inclusive. Voltando a Dona Maria Navalha e os outros Malandros, vamos tentar desmistificar ás relações da querida Malandra de umbanda e "companheiros" da Linha.



Muitas são as histórias e estórias sobre as entidades, a Malandra Maria Navalha tem muitas publicações, não só aqui, mas em muitos lugares da internet. Existem poucas casas que estudam profundamente suas histórias e mistérios. Eu conheço ela há alguns anos, quando criei o blog, muito pouco se ouvia falar sobre ela, alguns á excluíam do terreiro, outros tratavam como pombagira, outros achavam que era mentira das médiuns. Hoje ela é popular, quase todos os terreiros cuidam de uma ou muitas Malandras, alguns cuidam corretamente ao meu ver, outros não, mas vai de casa para casa. Dentro do que é dito sobre a Navalha, algumas coisas são verdadeiras e claras, ela é uma entidade brasileira, diferente da Linha das Pombagiras, que abrigam falanges de espíritos de muitos países. Estudei por muito tempo sua personalidade, características, como não tinha coisas dela em livros, apostilas ou sites, comecei a observa-la, fiz amizades com pessoas que tinham ela, até que finalmente ela incorporou no meu humilde terreiro, foi a glória, achei ela magnifica, mas isso é coisa de filha de fé umbandista que sou, pois ela é muito simples. Durante os estudos, percebi que cada um escrevia que ela nascera em um lugar, portanto isso é muito relativo. Ela pode ter nascido na Bahia, Minas Gerais, Recife ou Rio de Janeiro, isso não importa muito, porém vamos adentrar os mistérios dela e dos outros Malandros.



Já ouvi dezenas de vezes pessoas falando que Maria Navalha é mulher do Seu Zé Pelintra, eu não desconsidero o carinho, gratidão que algumas tem por ele. Isso quer dizer que algumas Navalhas até o consideram, porém, isso não é universal, muito menos comum, como a maioria das pessoas acha. Eu conheci Navalha que mal cumprimentava seu Zé, trabalhava com outros Malandros, mas não com ele. Aí surgiam outras perguntas, então ele matou ela ? Então ela matou ele ? Viveram ou não juntos ?




Todas essas indagações são muito vagas, pois seu Zé aparece nas histórias da Navalha, mas sempre como o boêmio que a salvou, que lhe deu uma Navalha de presente. Eu acredito que é daí que surgem ligações entre ambos. Apenas isso. Se eles tiveram ou não um caso, quando encarnados, isso não importa mais, pois eles vem nos terreiros prestar caridade, ajudar pessoas e não para pensar no que foram ou fizeram. É por isso que eles não contam suas histórias, porque erraram muito e estão nos templos espirituais para ajudar ás pessoas, que muitas vezes podem estar no caminho do erro também.


Outra coisa que acho interessante e merece ser falada, é que antes da falange das malandras, vieram os Malandros. Seu Zé é um encantado, mestre, originário do catimbó, portanto, acredito eu que quando a Maria Navalha desencarnou, seu Zé ou outras entidades de umbanda a acolheram. Para que assim fosse resgatada e tivesse a chance de melhorar.

Agora voltando para a relação da Navalha e outros Malandros, é o que disse no texto anterior, entidades não namoram, entidades não se beijam, entidades se respeitam muito e trabalham juntos, para ajudar as pessoas. As Malandras trabalham em sua maioria, com Malandros que elas já conhecem, ou seja, a Malandra das Almas pode trabalhar com Malandros com nomenclaturas afins, como por exemplo, o Malandro da Calunga. Eles podem ter sido, amantes, amigos, pai e filha, comparsas, irmãos quando encarnados, e é devido a isso que podem trabalhar juntos.

Muitos terreiros trabalham com a Navalha atualmente, praticamente todos a recebem, apesar de antes isso não ser tão comum, porém, ela mesma me disse, que tem entidades que ela não gosta de trabalhar, ela admite.  Ela não gosta de Malandros que ainda se acham os tais ...rs, não gosta de malandras muito refinadas, porque ela não é, fala que não combina em nada com ela, porém as respeita. 

E ela fala que Malandro por Malandra, ela é Maria Navalha.

Se houverem discordâncias, podem me mandar um email ou comentar na fã - page do Facebook.

Salve a Malandragem !!!!

Salve Maria Navalha !

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Relação dos Malandros e as Pombagiras.

Antes de falar da relação entre Malandra Maria Navalha, Seu Zé Pelintra e os outros Malandros; Vou falar sobre os Malandros e as Pombagiras.


Malandros e Pombagiras


É muito importante enquanto umbandistas obtermos estudos sobre as entidades, suas histórias, características, entretanto, alguns médiuns, confundem as coisas, ou mesmo, deixam - se levar por espíritos zombeteiros, que querem acabar com o trabalho e a seriedade destas linhas na nossa religião. Uma das coisas que vejo crescendo assustadoramente em terreiros, são médiuns que usam os nomes de suas entidades para "inventar", "fantasiar" com estórias, muito atípicas. Alguns o fazem, por negligência dos dirigentes, por terem irmãos de fé mais inocentes, por descuido, descaso e por caráter duvidoso. Eles vão fantasiando que entidades tem vínculos e assim vão se aproveitando. Por exemplo: O Malandro dele é " marido " da Pombagira dela (irmã de santo), a Malandra dela é "amante" do Exu dele, e por aí vai, infelizmente eu já ouvi esse tipo de coisa, é o cúmulo do abuso, absurdo e total falta de respeito com as entidades. Mas aí você me pergunta, poxa Priscila, meu terreiro é sério, minha dirigente é séria, a casa é firme, estamos todos fingindo ou mentindo? 

Eu vou explicar minha concepção desses vínculos, que fique claro aqui, que cada um ensina e aprende de uma forma, cada casa é uma casa, umbanda tem algumas coisas em comum com outras umbandas e por aí vai. Desde que prevaleça o respeito e a caridade, todos somos filhos de fé.

Eu acredito que podem existir ligações entre entidades e médiuns, entidades dos irmãos de fé, porém, se os malandros e as senhoras pombagiras tiveram romances em suas vidas encarnadas, após o desencarne, tudo se rompe, eles são apenas irmãos na lei de Deus (Olorum), que os criou, para passar por coisas juntos, celebrarem juntos e principalmente cumprirem missão juntos. 

Então, não existe nada de errado, eles trabalharem na mesma casa, terem como instrumento o mesmo médium, ou até médiuns próximos, em linhas opostas ( Malandragem x Exus ) ou na até na mesma linha(malandragem), que seja; Porém, eles não tem mais os desejos sexuais ou amorosos, como quando eram encarnados. Se tratarão com muito respeito e até um certo carinho, mas nada além disso. Podem dançar juntos, ele como cavalheiro que é, será cortês, galante, mais saberá, que é um espírito, em processo de evolução. Ela dama que é, ficará feliz, formosa e prendada, por ter um amigo, um espirito que lhe é leal, mas será a mais educada das mulheres, pombagiras são muito refinadas, pelo menos, as que conheci, algumas são simples, outras sérias, mas todas, são muito firmes em respeitar a lei e praticar a caridade.


(Pintura da Artista Maria do Carmo da Hora)

Se você entrar num terreiro e pombagiras estiverem "esfregando - se", "dando mole", "falando coisas estranhas para malandros, ou malandros falarem coisas que não condizem com a umbanda, fique com a pulga atrás da orelha, porque aí tem. Tem alguma coisa errada por aí, O Médium x falou que tal pombagira é mulher do malandro dele, está errado, a pombagira da fulana TRABALHA com o Malandro dele, pode TER TIDO um romance no passado deles, talvez, há uns 150 anos. 

Outra observação importante, entidades não gostam de contar suas histórias, pelo simples fato de seus médiuns confundirem as coisas, se gabarem por terem tal entidade, endeusarem a entidade, fuçarem na internet até ás últimas páginas do google, não é assim, meus amigos leitores, entidade demora muito pra falar de si, é doloroso, a maioria é embebida em sofrimento e eles estão na umbanda para corrigir seus erros, ou contribuir com seus médiuns. Tudo o que escrevo aqui é fruto de um trabalho muito grande. é estudo, conversas com entidades da minha humilde casinha espiritual, entidades de outros terreiros, amigos que tem as entidades, apostila, livro, sites de amigos, intuição e a entidade querer falar. Porque dependo deles, quererem ou não falar, contar suas histórias, e nas histórias NUNCA está incluída que a Malandra da Estrada namora o Malandro da Estrada, e os médiuns deles tem que namorar por causa disso, ou Malandro da Lapa e a Pombagira das Almas, e por aí vai.


Cantiga de Malandro:

"Boêmio que nem eu, tem que ter 7 mulher,
Uma anda perambulando e as outras 6 no Cabaré."

Ponto de Umbanda. Domínio Público.

Um Malandro ser boêmio, charmoso, ter ginga, força, até uma certa sensualidade, não está errado, ele realmente tem tudo isso, acompanhado de mutia simpatia, é galanteador, conquistador de mulheres, encanta á todos no terreiro, os filhos de fé muitas vezes encontram um amigo, um padrinho, até um pai que lhe falta, porém, ele jamais vai faltar o respeito.  

"Malandro é Malandro mesmo, malandragem,
E o otário, ele é otário mesmo."

Trecho da Música de Bezerra da Silva " Malandro encarnado".



Esta é apenas a minha humilde opinião, se ainda houverem dúvidas, críticas, discordância, elogios em relação a este texto, comente na nossa página no Facebook ou me mande um email, vou adorar.

priscilacartomante@hotmail.com

Recados e Agradecimento a Fidelidade dos Seguidores.

Olá aos meus seguidores , axé a todos, quanto tempo sem postar nada, mais estava com tanta coisa pra fazer, que não conseguia parar e postar, eu ainda tenho que responder dois emails muito importantes, um fala sobre o Malandro Camisa Preta, é pedido de uma seguidora muito educada e fiel ao nosso blog, porém esse Malandro eu conheço muito pouco. Mesmo assim, em breve espero postar mais sobre ele e quem sabe assim, contribuir humildemente para agradar a esta leitora e á todos vocês.


As outras coisas que quero tratar, são : As relações e os trabalhos de Malandragem com Exus e Pombagiras, A relação de Malandros, Zé Pelintra e Maria Navalha, pois muita gente confunde algumas coisas, na minha humilde opinião, pedidos feitos por email com antecedência e esclarecimentos sobre a Linha.



Axé a Todos. Meus Respeitos.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

História de Maria Tereza ( Malandra Maria Navalha )


História de Maria Tereza.

Maria Tereza recebeu o nome em homenagem a Santa de devoção da Mãe, mas nunca fora muito católica ou religiosa, porém sua avó antes de morrer lhe ensinou a falar com as Almas, aprendeu com ela, sobre as Almas Malditas, As Almas Benditas e como era perigoso não cumprir os acordos com elas. Quando Maria Tereza sentia falta da avó, ia ao Cruzeiro que elas iam, antes da avó falecer, acender vela para alma da avó e para as Almas benditas.
Maria Tereza não teve uma vida fácil, perdeu a mãe e a avó muito nova, a rua foi sua mãe e lhe ensinou coisas boas e outras nem tanto. As vielas foram suas irmãs e testemunhas do seu sofrimento e das suas poucas alegrias, seu pai era um alcoólatra, que desde sempre a importunou, isso foi o ponto principal para começar a odiar os homens e o machismo que lhes é vigente. O pai sempre tentava abusar dela e ela ia para fora, tentando expurgar seu grande sofrimento por dentro. Com isso começou a conhecer os meninos de rua das redondezas, fez amizade com eles, eles achavam ela muito bonita, mais tinham medo de enamora-la. Ela era tão forte como eles, Tereza sempre fora brava, sua personalidade era marcante desde quando era pequena, e a perda da mãe somada á pessoa desprezível de seu pai, fez com que aprendesse a se defender muito menina. 



Contava com 13 anos, quando começou a usar drogas, que os meninos usavam, como eram seus amigos, ela quis experimentar, não gostava de julgar ninguém e nem sabia, como aquilo, poderia lhe prejudicar. Usou de tudo um pouco, cheirava cola, mais ficou com náuseas, viu como ficavam perturbados e sem controle quando cheiravam um pó branco que acabará de chegar ao Rio de Janeiro. Identificou-se mais com maconha, os meninos davam pra ela, assim conheceu o fornecedor principal do Morro. Era um rapazote um pouco mais velho que ela, ela agora tinha 15 anos e ele 17, era um galanteador, querido das prostitutas do bairro e "empregado" dos chefes da boca. Subia e descia o Morro como ninguém, conhecia tudo muito bem.

Ele se aproximou dela com segundas intenções, metido a conquistador, ele sempre tinha, as mulheres que quisesse, mas queria aquela, a Maria das Marias, a menina que tinha se tornado mulher sem perceber, que preferia a companhia dos meninos de rua a quem todos chamavam de pivetes, a Maria que na dor se tornou Navalha, a Maria que nunca se cala. 

Depois de muita insistência, Maria o beijou, ele a enfeitiçou com sua lábia e sua ginga, levou ela pro samba, ensinou um pouco de capoeira, ele era mestre, aprendeu com seu avô a jogar Angola como ninguém. Maria Tereza se encantou, achou que nunca ia conseguir amar ninguém, pois achava o amor uma ilusão.
Ele conseguiu, levou ela pra cama e depois lhe abandonou, quando Tereza conseguiu reencontra-lo, estava no Bar, no pé do Morro, com três mulheres em sua volta, Tereza após ter sido usada e jogada fora, foi tirar satisfação com o Malandrão, brigaram como dois homens, o ódio dela fez ela forte, mais não tanto quanto ele.

Ele lhe disse "Sou Malandro menina e minha vida é assim, uma mulher na cama e outras três no botequim, eu não uso ou abuso de ninguém, não tenho culpa, se você se apaixonou, por quem não vale um vintém”.

Ele riu e suas acompanhantes também, Maria Tereza teve mais raiva ainda, arrependeu-se amargamente de ter amado. Nasceu um sentimento de amargura, ódio e assim generalizou que homem nenhum valia a pena. Um homem que assistia a cena compadeceu do seu sofrimento, ofereceu uma bebida, ela muito brava, aceitou, queria beber, mais disse que nada podia oferecer, ele disse que não tinha problema e que ele não iria se aproveitar dela. Após beberem juntos, ele lhe mostrou uma Navalha, e disse que se ela aprendesse a brigar com ela, ninguém nunca mais ia se aproveitar dela, deu lhe de presente e disse que usasse bem. Maria Tereza aprendeu a jogar capoeira com a navalha, a escondia no corpo e saia sem medo de nada, as pessoas começaram a temê-la, dali surgiram boatos sobre a mulher que era brava como uma onça e brigava com sua Navalha com quem quer que fosse. Isso irritou muito seu antigo amante, ele a chamava de arrogante e dizia que um dia isso iria acabar. 



Tereza nunca andou na Linha, além de usar drogas, beber como um marinheiro, brigar como um estivador, jogar com meninos de rua, ela nunca gostou de trabalhar e também nunca pode estudar. Sua vida tinha muitos entraves, muitas dificuldades, não era filhinha de papai, teve que buscar nos becos da favela alimentos, passou fome, passou frio, encontrava apoio na Rua. Nunca foi muito vaidosa, não gostava de andar suja, mas não gostava de joias. Quando os meninos de rua roubavam as Madames no Centro e davam joias para ela, ela falava para venderem tudo, então vendiam, compravam bebida e dividiam com ela.
Tereza vivia tendo problemas com a Polícia, eles volta e meia topavam com ela, tinha um em especial, que não á deixava em paz, sempre que á encontrava, queria tê-la a todo custo. Oferecia dinheiro, joias, maconha, ela sempre se esquivava, tentava fugir dele.

Foi numa segunda feira, por volta das seis horas, que as moradoras do Morro ficaram sabendo que a polícia estava batendo de porta em porta, procurando por Tereza, com a acusação de homicídio. Diziam que ela tinha matado um português, dono de um bordel na Lapa, ao que parecia, ele queria ela, para ser prostituta de sua casa, ela tinha se recusado e o degolado com sua Navalha. Maria Tereza tentava se esconder entre as vielas da favela, fugindo dos Meganes(Policiais), foi quando encontrou seu antigo desafeto, o rapazote que teve um caso, ele lhe disse:
Ô Tereza, se disfarça, coloca uma roupa minha, vira homem e se esconde lá perto do Cruzeiro. Ninguém vai te encontrar assim...Quando eles forem embora, eu te busco lá.
Maria Tereza aceitou o conselho dele, colocou a roupa dele e foi se esconder na Rua de trás do Cruzeiro que rezava para as Almas. Ficou lá aguardando, ele ir busca – lá. Porém ele demorou muito, ela estava muito nervosa, fumou um cigarro para tranquilizar, mesmo assim continuava nervosa. Em seguida começou á escutar homens, gritando seu nome, atirando em sua direção, ela correu, pulou o muro, chegou até o Cruzeiro, foi nesse momento que um tiro acertou o seu peito, Tereza desencarnou com muito ódio e tristeza.
Ela nunca tinha ouvido falar sobre vida após a morte, mas estava vendo seu corpo jogado ao lado do Cruzeiro, via pessoas gritando, as crianças de rua chorando e os policiais conversando, falando que não poderiam fazer mais nada, já que a suspeita tinha corrido e eles tiveram que mata-la.
As crianças acendiam velas para Maria no Cruzeiro, olhavam para o Céu e perguntavam umas para as outras, que se acaso, existisse um Deus, que ele acolhesse ela e guardasse-a para eles.
Tereza começou a perambular pelas Ruas do Morro, já não sabia o que fazer, estava viva, gritava, olhava a todos, mas estava morta ao mesmo tempo. Na descida do Morro avistou no Bar da Esquina, seu antigo amor, que não parecia nada abalado, bebendo com o policial que a queria como amante. Ela aproximou – se deles e escutou quando o rapazote disse:
Eu te disse parceiro, que nós íamos nos vingar dela, te entreguei a vagabunda de bandeja. E ela ainda foi otária de acreditar em mim, falei pra ela se vestir com minhas roupas e ela caiu na Arapuca, nem acredito, como foi fácil armar uma emboscada, ha ha ha. Depois foi só te avisar onde ela estava e se ferrou com um tiro nas costas. Você acertou direitinho, hein.
Com certeza, o plano deu muito certo, ela mereceu, não quis dormir comigo, foi dormir com o Diabo.
Maria sentiu seu peito encher de ódio, quis bater em ambos, eles ficaram com tonturas e decidiram ir pra casa.
Maria Tereza nunca descansou, vingou – se de ambos e os perseguiu por anos, perambulou por muito tempo, foi escravizada por espíritos baixos e depois escravizou também, continuou frequentando bares, sugando energia dos encarnados, aproximava – se de drogados, para absorver os prazeres que os entorpecentes ofereciam. Passou décadas assim, tinha resistência para aceitar a lei e as normas espirituais. Muitos Grupos de Resgate ofereceram ajuda para ela, pedindo que aceitasse as leis divinas. Depois de todo esse sofrimento na vida e na morte, ela aceitou, foi cuidada para trabalhar na Umbanda Sagrada e assim evoluir.



Recebeu o nome de Malandra Maria Navalha do Cruzeiro das Almas, Maria pela falange de trabalho e por ser o nome que ela gostava quando encarnada. Navalha por ser o instrumento que ela usava e o Cruzeiro era um lugar que ela amou, odiou e que a marcou por toda eternidade.

Ponto Cantado da Malandra:

“Está vendo aquele Cruzeiro lá no Morro ?
Por ele Santa Tereza, também chorou.
Se vestiu de Homem pra fugir de emboscada,
Mas Navalha foi enganada por Palavras de Amor.”


Salve Malandra Maria Navalha do Cruzeiro das Almas.





quinta-feira, 19 de junho de 2014

As Falanges da Linha da Malandragem. Parte II


Os Malandros e As Malandras da Umbanda Sagrada tem muitos campos de Atuações, eles dividem - se em várias falanges, e dependendo da falange, eles podem até se parecer. Porém cada entidade tem sua individualidade, seu mistério, sua mironga, sua magia.

As Falanges que conheço relacionadas a Malandragem são:

Lapa
Arcos da Lapa
Morro
Estrada
Encruzilhada
Calunga
Cruzeiro das Almas
Almas
Cabaré
Figueira
Cais
Beira do Cais
Botequim


Em todas as falanges as vestimentas variam, ou seja, não é porque o Malandro é da Lapa que vai vestir branco e vermelho, ou porque é Malandra das Almas que vai vestir só roupas pretas. Quando escrevemos textos e colocamos as características, são características mais ou menos parecidas das entidades. Mas temos que deixar claro, que isso tem grande variabilidade.



Os Malandros e Malandras das Falanges: Lapa, Estrada, Cabaré tem algumas semelhanças, em sua grande maioria, eles são simpáticos, amistosos, possuem lábia e com isso, conquistam muitos devotos. Não é a toa, que essas falanges abrigam, um maior número de espíritos. 


" Na Lapa, foi no Cabaré da Lapa, que a Malandragem se criou ..."


Os Malandros da Lapa (ou Arcos da Lapa) tem grandes ligações com o Bairro, o conhecido local da Boêmia Carioca, foi e ainda é, palco para noites de muita diversão. Na Lapa tinha tudo o que a Malandragem gostava, tinha bebida, cigarro, jogo, mulheres e o samba, ele não poderia faltar. As entidades desta falange gostam das cores vermelha e branca, chapéis da mesma cor, apreciam um bom samba e são muito diretos no que querem falar, não tem rodeios ou enigmas. São atraentes, elegantes e sua presença, logo é notada nos terreiros. As Malandras tem as mesmas características, gostam das coisas em seus lugares, cobram de seus médiuns e falam de igual pra igual. Essa Falange aprecia muito trabalhos com baralhos. Bebem Cerveja e gostam muito de Salaminho.




Os Malandros e Malandras da Estrada e da Encruzilhada se alternam , ora são sérios, ora brincalhões, acompanham seus médiuns quase que o tempo todo, vivem nas ruas, resolvendo "paradas" e tiram as pessoas de muitas enrascadas por aí. São muito fiéis e protetores, agem como amigos de seus médiuns, porém, sabem cobrar deles e quando cobram, não admitem erros. Gostam de roupas finas e são muito bem trajados, a linguiça calabresa é uma das suas comidas favoritas. 


As Malandras desta falange se diferenciam por serem mais discretas, não gostam muito de conversa fiada.


Os Malandros e Malandras do Cabaré são os mais brincalhões da Linha, são bem resolvidos com todos, gostam de jogar conversa fora, são sempre muito respeitosos, porém desimpedidos e de língua solta. São Alegres, falam muito, conversam com consulentes, dançam até cansar. Das Malandras dessa linha, muitas são amigas de seus médiuns, resolvem problemas de amor e atraem pretendentes para elas. Jogam Ronda como ninguém e acertam á vida das pessoas no Baralho. Estão sempre bem arrumadas, atraindo os olhares das pessoas no Terreiro, sambam bastante e tem muito gingado. Gostam de anéis, pulseiras, brincos, lenços por debaixo do chapéu e fumar em piteira.



Os Malandros das Falanges das Almas, Do Cruzeiro, da Calunga, Figueira e alguns do Morro tem em comum sua Seriedade, são com raras exceções, entidades fechadas, sérias, sem muita abertura para brincadeiras. Vivem para os trabalhos espirituais, poucos vem em terra para beber, dançar e fumar, nenhuma entidade que se preze, vem só para isso, mas com certeza, seus médiuns irão entender o que falo. Poucos se identificam com eles, suas exigências são grandes, porém são muito leais. 


Vibram dentro do Feitiço, com incorporação forte, sempre tem mensagens para deixar em terra e são ágeis para realizar os pedidos dos que lhe são devotos. Não gostam de nada errado, e se seus médiuns andarem fora da linha, eles cobram sem perdoar.


Tem grande preferência pelas cores preta e branca, porém, isso não é absoluto, podem usar outras cores. Não apreciam nada dos outros, preferem ter suas coisas, muito bem organizadas e com antecedência.  


São de grande segredo, mantendo seus fundamentos longe de curiosos, não gostam de contar suas vidas, quando encarnados e podem testar a Fé de seu Médium.


Os Malandros das falanges Beira do Cais, Cais e Botequim são os que tem menos espíritos em sua conjuntura espiritual. Mas nem por isso, trabalham menos dentro do terreiro, são muito trabalhadores e tem energia intensa. Em sua vida encarnados, tiveram ligações com esses locais, trabalhavam no Cais, nos Portos, eram grandes boêmios dos Bares próximos ao Mar. Alguns eram muito queridos pelas prostitutas que ali trabalhavam, gostavam de jogar dados com copos encima de caixas de madeira, brigavam com marinheiros e estivadores, lutavam capoeira com suas navalhas.


Espero que vocês tenham gostado, eu fiz com muito carinho e simplicidade.

Salve a Malandragem !!!

As Falanges da Linha da Malandragem. Parte I

Queridos Seguidores, é com muita humildade, que irei escrever sobre As Falanges da Linha da Malandragem, ou seja, vou falar sobre meu pequeno conhecimento desta Linha e como as entidades da mesma, dividem - se. 

Meu objetivo não é desrespeitar ninguém, denegrir ninguém, ou afirmar, que meu conhecimento é único e certo. Acredito, que cada um, aprende de maneira diferente, a aprendizagem varia de terreiro para terreiro, porém a nossa base, permanece. 

Caridade ontem, Caridade Hoje, Caridade Amanhã, Caridade Sempre. 

Saravá Umbanda.



A Linha da Malandragem na Umbanda começou com a figura de Seu Zé Pelintra, entidade esta, originária dos Cultos Catimbó e Jurema, seu Zé Pelintra no Nordeste é cultuado como Mestre. Seu Zé Pelintra começou a manifestar - se nos Terreiros de Umbanda, nas Giras de Esquerda, porém, todos sabemos que ele, tem livre acesso as giras de direita, por seu grau evolutivo. Ele é um espirito com muita experiência espiritual, preparado para atuar em diversos planos, até nos locais mais negativos. Em seguida, começa á manifestação dos Malandros, entidades desencarnadas a pouco tempo, se compararmos a Exus e Pombagiras. As Malandras são os Espíritos mais jovens dessa linha, pois, além de desernacarem a pouco tempo, poucas são as casas que sabem cuidar delas, as aceitam ou deixam elas trabalharem. Malandra Maria Navalha, considerada por muitos como Pombagira, por confusão, falta de conhecimento ou médiuns despreparados, é a entidade chefe, da falange das Malandras. Diferente do que ocorre na Linha das Pombagiras, que tem Pombagiras Chefes, como Padilha, Mulambo, Sete Saias, Sete Encruzilhadas e por aí vai. Outro fator que causa confusão, é a existência de Pombagiras com a denominação, 7 Navalhadas, 7 Navalhas.


Eu tenho grandes amigos e amigas, que afirmam, a existência da Pombagira Maria Navalha, eu respeito muito esse pensamento, mas conhecendo a Navalha, que conheço, do jeito que ela é, que não gosta de nada, relacionado a Pombagira, é difícil para mim, admitir que existe uma Maria Navalha Pombagira, que bebe anis, champanhe, fuma em piteira, arreia e dá gargalhadas. Ainda sim, nós respeitamos, todas as entidades e suas manifestações. Algo que sempre me pergunto, é que se existe a Maria Navalha, chefe da falange das Malandras e existe a Maria Padilha, chefe da falange de Pombagiras, qual é a chefe das Navalhas Pombagiras ? 

E se as Pombagiras riscam ponto, e no ponto riscado explicam sua falange, o Exu que as acompanha, seus instrumento de trabalho e sua atuação, como uma Navalha Pombagira faz isso ? São coisas que eu vou ter que estudar muito, conhecer, pesquisar, porque, ainda não entendo. Só respeito e reflito em silêncio com minha insignificância.

Voltando a falar das Falanges da Malandragem, dou inicio a uma sequência de Postagens sobre as Falanges dos Malandros e Malandras !

Axé !

Salve a Malandragem !





Fã Page do Facebook.


Olá queridos seguidores do Blog Malandros e Malandras, como muitos de vocês já sabem, eu, juntamente com a Maria Tereza, a nova autora do blog, criamos uma Fã - Page, ou seja uma Página em formato de comunidade, na rede social Facebook, lá nossas postagens serão em maior frequência, porém, não escreveremos textos sobre os Malandros, pois a apropriação seria maior, ou seja, mais pessoas copiariam nossos textos e propagariam, afirmando serem autores destes. Ainda sim, eu peço, que se for possível, vocês curtirem lá, agradecemos com carinho :) 

Também colocamos uma Caixa para vocês curtirem diretamente daqui do Blog.

Salve a Malandragem !!!!!!

Salve Maria Navalha !!!!!


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Nova autora do blog.

Olá queridos seguidores do blog, me chamo Maria Tereza, espero contribuir e compartilhar informações sobre a linha da malandragem, muito cultuada e amada hoje em dia nos terreiros. Apesar do pouco tempo, me sinto encantada pelas histórias e personalidades das entidades dessa linha. Pois na maioria das vezes se encontra alguns traços comuns entre eles como; independência, liberdade, sedução e os trejeitos da malandragem. E é através da minha convivência e experiência com essas entidades que eu irei me basear para trocar conhecimentos com todos vocês.  

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