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quinta-feira, 20 de julho de 2017

As faces de Maria: A Baiana Maria Navalha :


Olá amigos seguidores, hoje vou escrever sobre uma face pouco conhecida de Maria Navalha, a sua forma de trabalho na Linha dos Baianos (Nordestinos) da Umbanda Sagrada. Essa face de atuação, é muito mais comum em São Paulo, devido a grande difusão dessa linha na Umbanda "Paulista", a Maria Navalha baiana é completamente regionalista, ou seja, ela é muito mais ligada aos costumes nordestinos do que ao arquétipo Malandragem comumente projetado no RJ. A Baiana Maria Navalha tem grande ligação com os retirantes, os sertanejos, os violeiros, principalmente as parteiras, ela em si tem ligação com o cuidado a família, como boa mulher nordestina, defende seus médiuns, sua família e é pra lá de arretada. Gosta muito de cuidar de crianças, mulheres e dos menos favorecidos, teve vida difícil, sempre tendo uma palavra de esperança e superação como as entidades de luz da umbanda.

Características:

O que é mais importante falarmos é que suas nuances e preferências, condizem com baianos, não necessariamente com malandras, pombagiras ou mestras catimbozeiras.
Gosta de coquinho, cachaça, cachaça com mel (pinga com melado/meladinha), fumo de palha (cigarro de palha), fumo de rolo, cigarro de filtro branco, panos de cabeça (torço/ojá), lenços, chapéus de palha ou o mais simples possível, saias com roda, coco seco, argolas, pulseiras, colares, punhais, peixeiras (facas/apenas no astral/ raramente na mão de médiuns), dendê, comidas nordestinas (principalmente a farofa).

Algumas das Falanges de Maria Navalha na Linha de Baianos:

Maria Navalha de Alagoas, Maria Navalha do Maranhão, Maria Navalha do Sertão de Pernambuco, Maria Navalha do Recife, Maria Navalha do Sertão do Piaui, Maria Navalha da Paraíba, Maria Navalha do Rio Grande do Norte, etc.

Obs: Essas falanges correspondem as formas de atuação dos Baianos da Umbanda, não as falanges de Malandros e Malandras.

Espero que vocês tenham gostado ! 

Salve Maria Navalha ! É da Bahia meu pai !
Salve a Baiana Maria Navalha !

terça-feira, 4 de julho de 2017

Maria Navalhada, Sete Navalhadas, Maria das Sete Navalhas, Sete Facadas e Sete Punhais:

Olá amigos, seguidores, irmãos de axé, hoje venho trazer um pouco mais das mulheres da esquerda, que podem trabalhar como pombagiras ou como malandras, as senhoras da lâmina, as mulheres do corte, as sérias moças que trabalham no fio da Navalha, espero que vocês gostem.
Vamos diferenciar todas elas, e antes de fazer isso, é importante dizer, elas não são a mesma classe de espíritos, cada um desses nomes é um agrupamento espiritual, com coisas semelhantes em alguns aspectos, mas não em sua totalidade. Também precisamos desfazer o nó utilizados por alguns em dizer que além de serem a mesma, todas vem a partir de Navalha, não, sem confusões, Navalha é um nome espiritual, um conjunto enorme de significados, com diversas faces, que eu particularmente chamo de faces de Maria, já que ela pode ser catimbozeira (Mestra), Baiana, Malandra e o mais raro Pombagira. Eu levei muitos anos para entender, aceitar e compreender o mistério de uma Navalha Pombagira, já que só conheci suas outras faces. Na minha casa só trabalhamos com seu mistério como Malandra, mas que Maria tem diversas faces, isso é verdade.

Retomando aos nomes que irei explicar hoje, essas são mais comuns no trabalho como Pombagiras, são entidades muito complexas, de difícil trato, mas que trabalham bem na densidade das demandas que surgem para nós. Essas senhoras são as damas que vem com seriedade, força e grande mistério, trabalham incansavelmente com o corte advindo dos seus instrumentos, e estes não se resumem apenas em navalhas, navalhetes, essas mulheres trabalham astralmente com facas, punhais, giletes, entre outros. tudo imensamente afiado para retalhar as energias emanadas por irmãos negativados, as damas de corte trabalham cuidando de obsessores, defendendo seus médiuns, terreiros, ou seja, são protetoras que merecem imenso respeito e consideração.

Alguns desses nomes foram oferecidos pela espiritualidade, mas nem sempre eles tem haver totalmente com os agrupamentos, nem sempre essas mulheres desencarnaram com mortes por cortes, foram retalhadas, ou esfaqueadas. Algumas utilizavam os instrumentos em suas épocas, para os mais diversos fins, ou seja, aqui existe desde a mulher que cortava os alimentos, a mata, a caça, a mulher que lutava na capoeira com navalhas, até a bruxa que usou seu punhal em algum momento importante, são inúmeras as circunstâncias para estes nomes, eles surgem e vem como presente, já que estar prestando a caridade é ajudar sobretudo a si mesmo e ainda contribuir com o próximo.
Sendo Pombagiras ou Malandras, sempre são de humor a meio termo, tendo com característica o trabalho, os feitiços. como grandes mandingueiras que são, trabalham nos mistérios ocultos, são fortalezas de sortilégios, cuidado com elas, cuidado ao tratar, respeito ao chamar, aqui podemos saravar como moças da noite que são. Salve a Malandragem ou Laroiê não faz diferença para elas, como faz para outras "Malandras" da Umbanda, inclusive atuam mais em roças de candomblé.

Aqui apresentamos apenas agrupamentos espirituais, mas cada agrupamento tem suas falanges de trabalho e atuação.

Maria Navalhada - Confundida muitas vezes com Maria Navalha, é uma das falangeiras de Oyá, é sempre ágil no terreiro, muito imponente, é uma entidade forte, vaidosa, pode ser falante ou não, dependendo da falange, abriga muitas mulheres que foram de vida fácil, se bem tratada é faceira, gostando de trabalhar para amor e prosperidade.



Maria das Sete Navalhas/Sete Navalhas - Em tempos antigos foi catimbozeira, grande mandingueira, trabalha com sete navalhas completamente firmadas, não é de brincadeiras, sempre com a língua afiada, conta verdades sem rodeios. Suas Sete Navalhas simbolizam suas formas de trabalho, executa, corta, ajusta, acerta, pondera, firma e ordena, trabalha com ordens de Oyá, também podendo trabalhar com médiuns do Orixá Ogum, não é comum sua presença nos terreiros, tornando seu mistério complexo e raro.

Sete Navalhadas - Atua junto com o Malandro de mesmo nome, tem história triste, o agrupamento dessas mulheres traz as violências que sofreram, por isso, costuma trabalhar levando sofrimentos, mágoas e dores. Trabalha no combate as demandas, gosta de feitiços, porém, prefere atuar como defesa nos terreiros. Tem maior regimento de Ogum, porém também vem por Oyá.

Sete Facadas - É um nome espiritual pertencente ao agrupamento sob ordens de Oyá, são muito sérias, extremamente fechadas, não gostam de seus trabalhos expostos, exigem muito de seus médiuns, exigem dedicação, seriedade e respeito, normalmente não falam muito, só sendo chamadas para executar trabalhos nos terreiros.

Sete Punhais - Essa sinhá Dona é muito bonita, tem humor a meio termo, é uma entidade rara, simples e nova, não é comum vermos seu nome divulgado, porque ela mesma é nova na linha, trabalha muito com falanges de Zé Pelintra, é raro vermos seu trabalho com outras mulheres, mas pode trabalhar junto sem problemas, é bonita, catimbozeira, gosta de mandingas, podendo atuar junto a linha dos baianos, sempre verdadeira, cobra muita fé de suas médiuns, pois é na fé que ela resolve as coisas, se duvidar, já viu, pode esquecê - la. Costuma trabalhar com regimento de Ogum e Oyá também.
Todas as Moças aqui citadas tem suas falanges, histórias, fundamentos, campos de atuação, alguns aspectos elas tem em comum, outras só as próprias entidades para trazerem em cada terreiro, dividirem com zeladores, cambones e médiuns.

Características:

Cores: Podem usar branco, preto, vermelho e dourado, porém costuma prevalecer o vermelho.

Indumentária: Utilizam saias, é raríssimo usarem calças, muito difícil mesmo, mas podem pedir também. Costumam usar saias simples, não costumam pedir babados, fendas ou enfeites, mas gostam de tudo organizado. Algumas usam lenços de várias formas, inclusive como instrumento de trabalho, podendo ou não colocar nos chapéus. Algumas apreciam flores nos chapéus, depende do trabalho, falange.

Bebidas: Cachaças fortes, coquinho, cerveja, conhaque, batidas, entre outros.

Comidas: Apreciam muito farofas nas oferendas, farofa com carne seca, gostam de linguiça calabresa, azeitonas (pretas principalmente), cebola (principalmente roxa), salame, jiló frito, sardinha, ovo de codorna, entre outras.

Fumo: cigarros de filtro vermelho e charutos.

Religiosidade: São extremamente feiticeiras, então costumam atuar com Pombagiras, Pombagiras Mirins, Exus e alguns Baianos. Podem trazer encantarias ou bruxarias de suas vidas, origens e passado, varia um pouco.

Fundamentos: Navalhadas, Navalhetes, giletes, punhais (preto, branco, amarelo e preto, preto e vermelho, vermelho e branco e o branco), facas (astral/firmezas) nunca como objeto de trabalho mediunizado, ou seja, na mão dos médiuns. Dados coloridos, dados vermelhos, dados brancos, lenços, flores, fitas, bebidas (cachaça), cigarros, capoeira, ervas, dendê, moedas, pólvora, azougue, pimentas,  entre outros.

Eu espero que vocês tenham gostado !

Salve as senhoras de corte ! Salve as Damas das Lâminas !

Axé.



sexta-feira, 16 de junho de 2017

Malandras e Malandrinhas da Umbanda:

Chefe da Linha das Malandras e Malandrinhas – Maria Navalha


Falanges de Malandras e Malandrinhas da Umbanda:

* Morro
* Estrada
* Cais/Beira do Cais
* Lapa/Arcos da Lapa
* Cruzeiro das Almas
* Cabaré
* Calunga
* Encruzilhada/Sete Encruzilhadas
* Almas



Falanges de atuação de Maria Navalha (Ou subdivisões):



¨ Maria Navalha do Morro
¨ Maria Navalha do Cais
¨ Maria Navalha da Beira do Cais
¨ Maria Navalha da Estrada
¨ Maria Navalha da Lapa
¨ Maria Navalha dos Arcos da Lapa
¨ Maria Navalha do Cruzeiro das Almas
¨ Maria Navalha das Almas
¨ Maria Navalha da Calunga
¨ Maria Navalha da Encruzilhada
¨ Maria Navalha das Sete Encruzilhadas
¨ Maria Navalha do Cabaré


Sub - Falanges das Malandras e Malandrinhas da Umbanda e suas ligações:

- Maria Pimenta (Linha dos Baianos/Catimbó/Malandragem/Pombagiras)
- Maria Pelintra/Rosa Pelintra/Joana Pelintra (Linha dos Baianos/Malandragem)
- Maria Rosa (Catimbó/Malandragem/Linha dos Baianos) 
- Maria Preta/Maria Branca (Catimbó/Malandragem)
- Maria do Baralho/Maria Baralho (Linha da Malandragem)
- Rosinha/Ritinha (Catimbó/Malandras jovens/Pombagiras Mirins)

Exemplos: Malandra Rosinha do Cabaré, Maria Pelintra da Estrada, Maria Preta das Almas.


Podem atuar tanto como Pombagiras ou como Malandras:

- Maria Navalhada 

- Sete Navalhadas 

- Maria das Sete Navalhas

- Sete Navalhas 

- Malandra das Rosas Vermelhas

- Malandrinha da Rosa Vermelha

- Malandra Rosa Vermelha 

- Sete Saias

- Maria Sete Punhais

- Sete Facadas

Exemplos: Maria Navalhada do Cabaré, Sete Navalhadas da Calunga, Malandrinha das Rosas Vermelhas dos Arcos da Lapa.


Nomes usuais dentro da linha (mas que não configuram sub – falanges):

- Maria Helena 
- Maria Alzira 
- Odete 
- Dolores 
- Terezinha 
- Sussu 
- Maria do Rosário 
- Catarina
- Maria Izabel
- Gilda
- Maria Amália

(Aqui não está identificado nem falange, sub – falange, nem atuação, isso pode ser temporário, mudar após o desenvolvimento ou não. A entidade permanece com esse nome e acrescenta sua atuação).

Exemplo 1: Maria Helena, após o desenvolvimento se identifica como Maria do Cais.
Exemplo 2: Maria Alzira, após o desenvolvimento se identifica como Maria Alzira da Estrada.


Nomes que geram confusões:

Malandra da Praça (Praça não é falange. É um local de encontros de Malandros. Exemplo: Praça Mauá).

Malandra Cigana (Malandros tem pouquíssimas coisas em comum com Ciganos, algumas que podemos citar: bebidas, alegria, galanteio, oráculos, gosto por danças, músicas, noite. Porém, não podemos cruzar essas duas linhas, ou é Malandra, ou é Cigana).

Maria Navalha das Sete Navalhadas (Não tem como ter Navalha, Navalhada,  Sete Facadas, Sete Punhais, Sete Navalhas e Sete Navalhadas no mesmo nome da entidade, ela recebe apenas um desses grupamentos espirituais). Exemplos que existem: Maria Navalha do Cais/Sete Navalhadas do Cais.

Malandra da Ladeira (É a mesma coisa que Malandra do Morro)

Malandra do Forró (Forró não é falange, é manifestação cultural e popular).

Malandra do Samba (Samba não é falange, é manifestação cultural e popular).

Malandra da Esquina (Esquina não é falange, provavelmente Malandra da Encruzilhada, das sete encruzilhadas ou Estrada)

Malandra do Asfalto (Nome errôneo, provável Malandra da Estrada).

Malandra da Boêmia (Boêmia não é falange, é nome usual, provavelmente não quer contar o verdadeiro nome, que pode ser qualquer um).

Malandra da Madrugada/Neguinha da Madrugada (Madrugada não é falange, é nome usual, provavelmente não quer contar o verdadeiro nome, que pode ser qualquer um).

Malandra da Noite (Noite não é falange, é nome usual, provavelmente não quer contar o verdadeiro nome, que pode ser qualquer um).

Malandra Pé de Valsa (não é falange e é apenas uma referência que gosta de dança)

Malandra Celina da Praia (Celina é um nome da Linha de Ciganos, e Praia não é falange de Malandros)

Malandrinha do Morro Alto (É a mesma coisa que Malandrinha do Morro, ter vivido na parte baixa, ou na parte alta, não interfere no trabalho espiritual, assim como falar o Morro em que viveu na última encarnação)

Maria do Balaio ( Ela é Baiana, pode ter dado esse nome numa Gira de Baianos, mas configura como Baiana não Malandra, já que existe o fundamento dessa Baiana na Linha dos Nordestinos).

Maria do Pente Fino (Não Existe esse nome, e acho muito desrespeito com uma entidade, imagine chamar uma entidade de Malandra da Escova)

Maria Seresteira (Seresteira não é falange, pode ter falado o nome errado mesmo, ou para mostrar que gostava de músicas, serestas e dar o nome certo depois)

Miquilina da Lapa (Miquilina é um jogo de copas, para mim a Malandra gosta de cartas, jogava baralho e ganhou o apelido na vida encarnada, mas não configura como nome espiritual, para mim é Malandra da Lapa, Malandrinha da Lapa, Maria da Lapa, etc).

Viriata da Esquina (Viriata não é nome espiritual, não é falange, sub falange, configura nome errôneo).

Maria Rosa Navalha (Aqui temos duas falanges, ou seja, o nome por si só já está errado, ou a Malandra é Maria Rosa, ou é Maria Navalha).

Sete Saias, Maria Mulher (É apenas forma de falar, a entidade se chama Sete Saias, mas o Maria Mulher não faz parte do nome espiritual).

Malandra Merçalina (A palavra em si não existe, nas pesquisas só encontrei Messalina, que foi imperatriz romana, chamada de adúltera e prostituta, portanto o nome é errôneo).

Maria Padilha Malandra/Maria Mulambo Malandra (Ambas atuam apenas como Pombagiras, inclusive tem histórias, livros, falanges, firmezas, fundamentos, completamente diferentes de Malandras).


Quando Malandras falam estados de identificação, complementações regionais, lugares tem algumas possibilidades:

Primeira: O médium não pode saber sua falange e atuação ainda. Exemplo: Sou Malandra de Alagoas. Após o desenvolvimento, se identifica como Malandra das Almas.

Segunda: Ela quer apontar que trabalha junto com a linha de baianos. Exemplo: Sou Malandra de Pernambuco. Ela atua com o Baiano Zé do Coco do Sertão de Pernambuco, da mesma médium.

Terceira: Ela está apontando para o estado de sua última encarnação. Exemplo: Sou Malandra da Bahia. Ela viveu na Bahia no ano de 1894.

Todos esses estados, lugares, mudam se a entidade for trabalhar com a linha da Malandragem mesmo, ou seja, após um período maior de desenvolvimento. Existem raros casos de Malandras que permanecem com o nome do estado, mas isso é em alguns terreiros de São Paulo, aonde Malandros e Malandras vem muitas vezes na Linha de Baianos (Nordestinos).


Malandra do Catimbó/ Malandra da Figueira – São locais de feitiçaria, normalmente são entidades fechadas, que falam esses nomes para esconder suas verdadeiras falanges, seus mistérios e fundamentos. As entidades existem, mas não constituem falanges, sub falanges ou campos de atuação. Constituem ligações, fundamentos e magias. Catimbó (Culto da Jurema), Figueira (Linhas de Exus/Pombagiras). São os mais difíceis de revelarem nomes espirituais, falanges, origens, campo de atuação.


Obs: A postagem não é para denegrir ninguém, não é para ofender as pessoas, cada um tem uma casa, um fundamento, uma entidade, uma explicação. Eu apenas quero desmistificar algumas coisas, de acordo com o que aprendo no meu terreiro, com o que aprendo com minha mentora Maria Navalha da Lapa, com o que estudo há 7 anos, inclusive toda a pesquisa para esse Blog, com o que as entidades me passam, com os amigos, os terreiros de amigos, espero que ajude algumas pessoas, pois este é o objetivo.

Muito Axé a todos e Salve a Malandragem.

Edição - Falanges de Malandras - Malandras e Malandrinhas da Lapa.


(Pintura da Artista Maria do Carmo da Hora)

Olá meus queridos seguidores, amigos, irmãos de axé, hoje vou finalizar a Edição de Falanges sobre as Malandras, as grandes falangeiras de Maria Navalha na Linha da Malandragem da Umbanda. Por incrível que pareça, a minha Malandra, Dona Maria Navalha, é da falange da Lapa, e conforme vieram as intuições, percebi que sua falange ficou para o último texto. Não que isso seja ruim, mas por questão de aprendizagem, humildade e para todos sempre aprendermos, nenhuma falange é melhor que a outra, como nenhuma linha da umbanda também, todas tem seu valor, trabalho e imensa luz. Agora vamos ao texto.

As Malandras e Malandrinhas da Lapa são espíritos que se afinizaram com o bairro boêmio, o seu entorno e tudo o que existe lá, mesmo aquelas que não viveram as suas vidas propriamente na Lapa, viveram nos Morros próximos, no Centro do RJ, nos bairros adjacentes, enfim, sempre estiveram envolvidas de alguma forma com a boêmia carioca. Aquelas raras entidades que não tiveram vivência histórica na Lapa, são entidades que viveram coisas semelhantes em outros lugares, e isso traz um vasto grupo de espíritos com coisas em comum. As Malandras que vem de lá, viveram em diferentes em épocas no entorno, mas a maioria teve suas últimas encarnações, bem depois dos Arcos serem construídos. Eu já postei na página, a história dos Arcos é muito antiga, para os que apreciam história, vale a pena dar uma lida.
As Malandras da Lapa tem humor a meio termo, mas em geral são muito alegres, humildes, festivas e sempre transmitem mensagens para que as pessoas batalhem pelo que querem, passam uma energia de felicidade, de sorte, de êxito, adoram manifestações populares e jogos, cada uma tem suas particularidades, algumas gostam de baralho, outras gostam de dados, mas tem infinitas formas de oracular e ajudar seus consulentes.
Das Manifestações populares e culturais, apreciam o samba de raiz, samba de roda, o samba de gafieira e até o Partido Alto, são muito amantes de músicas, reuniões, comemorações do povo, gostam também da capoeira de angola, o jongo e muitas outros. Sempre foram boas de briga, defendiam prostitutas, a si mesmas, tendo o gênio forte, arrumavam confusões com a policia, com os cafetões, com os donos de bar, com homens desrespeitosos na rua, com marido que batia na esposa, enfim, paciência não é o forte delas. Sempre frequentavam bares, botecos, pé sujos, prostíbulos e afins nas noites a fora, entretanto, conheci algumas que não se orgulham de terem sido "prostitutas" ou "cafetinas". Dentre outras, tem as lavadeiras, domésticas, escravas, donas de bar, cantoras da noite, etc. Muitas passaram fome, foram diminuídas, oprimidas, mas nunca perderam sua dignidade, apesar das humilhações. sofridas, nunca desistiram de seus sonhos ou de lutar por seus objetivos. Sempre lutaram por sua honra, pela honra das mulheres, crianças e as comunidades marginalizadas, tem muita firmeza de palavra e caráter, ou é ou não é. (Experiência própria).



Das gatunas da noite, temos as que realizavam pequenos golpes, batiam carteiras, se misturavam aos meninos de rua, corriam pelas vielas, becos, ruas da Lapa e lugares próximos, algumas foram grandes apostadoras, roubavam nos dados, nas rodas de Baralho, enganaram homens, usaram drogas, aprontaram com policiais e enganaram as pessoas da alta sociedade. Uma das primeiras falanges a juntar - se as falangeiras de Maria Navalha, pelo propósito do trabalho, pelo enredo de suas vidas, pela caridade a ser feita, pela pureza da umbanda, por ajudar os mais humildes, por orientar o povo do terreiro de chão batido, por sua fé, devoção, carinho e respeito aos cultos. As conselheiras de Maria, as senhoras da Lapa são o que são, muito fortes, amigas, porém muito exigentes, rígidas e ponderadas no caminho correto, que é o caminho da luz, benevolência e caridade. 


Características:
Cores: Podem usar branco e vermelho, ou vermelho e branco, vamos nos ater a esse fundamento, umas usam mais vermelho, outras mais a cor branca. Isso também é um fundamento e tem diferença.

Indumentária: Branco, vermelho e raramente preto. Saias com babados, saias sem babados, varia ter muita ou pouca roda nas saias, apreciam as blusas listradas (característica comum na linha), mesmo quando são Navalhas, costumam ser vaidosas em alguns aspectos, batom vermelho, argolas (dourada, prata ou aço), cordões (normalmente religiosos, exemplo: São Jorge), calça branca, camisa vermelha, calça vermelha, camisa branca, ou o mais raro, calça preta e camisa branca. Também tem um grande amor, força, mistério e honra por seus chapéus, costumam imantar eles antes de colocar na cabeça  e atender os consulentes, assistidos, etc. Podem ser vermelhos com fita branca, brancos com fita vermelha, vermelhos com fita preta, totalmente brancos, totalmente vermelhos e raramente pretos. Podem ou não usar lenços, por baixo dos chapéus. Não exigem flores, ornamentações nos chapéis, copos ou afins, mas aceitam, caso médiuns assim o façam. 

Bebidas: Cerveja branca, cerveja preta, Whisky, conhaque, rabo de galo, vinho, cachaça, cachaça com mel (meladinha/melado) e o coquinho. Normalmente preferem copos lisos, de bar, simples, também gostam de tulipas transparentes, raramente bebem em taças, mas aceitam as tulipas, taças e copos decorados, por carinho aos seus médiuns.

Comidas: Apreciam muito a linguiça frita com cebola, batata calabresa, ovo de codorna e o salame, porém, aceitam qualquer oferenda dos devotos, se for dada com fé, amor e dedicação.

Fumo: cigarro de filtro vermelho, cigarro de filtro branco, cigarro de palha e algumas raras fumam cigarro doce.

Religiosidade: Variam bastante na questão fé de suas vidas encarnadas, algumas foram "macumbeiras", outras catimbozeiras, outras feiticeiras, muitas tem conhecimento dos povos negro (principalmente bantu), o catolicismo branco e a pajelança indígena. Mas em sua raiz ancestral, tem maior ligação com as magias africanas, macumbas dos Morros cariocas e da "Pequena África". Algumas foram benzedeiras em suas comunidades, curandeiras e adeptas dos cultos antigos.

Fundamentos: Baralhos, Naipe de Copas, Naipe de Ouros, dados vermelhos, dados brancos, dados coloridos, chapéus, lenços, sinuca, pimentas, bengalas, fitas, diversos tipos de samba, jongo, capoeira (Angola), navalhas, punhais, canivetes, moedas (atuais e antigas), dendê, flores e muitas outras coisas.

Eu espero que vocês tenham gostado,
Muito Axé das Malandras e Malandrinhas da Lapa a nos abençoar.
Minha eterna gratidão a minha senhora da boêmia,
Salve a fina flor da Malandragem.
Salve a Malandra Maria Navalha da Lapa !

terça-feira, 13 de junho de 2017

Delegado Chico Palha

"Delegado Chico Palha,
Sem alma, sem coração,
Não quer samba nem curimba,
Na sua jurisdição.

Ele não prendia,
Só batia.

Era um homem muito forte,
Com um gênio violento,
Acabava a festa a pau,
Ainda quebrava os instrumentos.

Ele não prendia,
Só batia.

Os Malandros da Portela,
Da Serrinha e da Congonha,
Pra ele eram vagabundos,
E as mulheres sem-vergonhas.

Ele não prendia,
Só batia.

A curimba ganhou terreiro,
O samba ganhou escola,
Ele expulso da polícia,
Vivia pedindo esmola."

(Zeca Pagodinho)


(Bezerra da Silva)

Curiosidades :

Portela é uma escola de Samba muito conhecida no Rj, a escola do coração do Zeca.
Serrinha e Congonha são comunidades próximas a Madureira (RJ).
Historicamente, o samba, os cultos aos Orixás (Umbanda e Candomblé), o Caxambu, a Capoeira, aconteciam principalmente em Morros, tanto no Morro com no "asfalto" foram muito julgadas, sofreram grande preconceito, como praticamente tudo da cultura negra. A policia e outros órgãos realmente prendiam pessoas, humilhavam, reclamavam, faziam um pandemônio, demorou muito para os direitos das pessoas serem respeitados.

A música é atual e apesar de não fazer parte do repertório umbandista, quis cita - la, para mostrar como algumas de nossas entidades sofreram preconceito, tal qual sofremos ainda hoje.


Roda de samba num morro do Rio de Janeiro, no ano de 1936.
Datado em 14 de maio de 1936, autoria desconhecida,
Fonte: O Malho, ed. 154, ano 35, p. 31 de 14/5/1936
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