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quinta-feira, 20 de julho de 2017

As faces de Maria: A Baiana Maria Navalha :


Olá amigos seguidores, hoje vou escrever sobre uma face pouco conhecida de Maria Navalha, a sua forma de trabalho na Linha dos Baianos (Nordestinos) da Umbanda Sagrada. Essa face de atuação, é muito mais comum em São Paulo, devido a grande difusão dessa linha na Umbanda "Paulista", a Maria Navalha baiana é completamente regionalista, ou seja, ela é muito mais ligada aos costumes nordestinos do que ao arquétipo Malandragem comumente projetado no RJ. A Baiana Maria Navalha tem grande ligação com os retirantes, os sertanejos, os violeiros, principalmente as parteiras, ela em si tem ligação com o cuidado a família, como boa mulher nordestina, defende seus médiuns, sua família e é pra lá de arretada. Gosta muito de cuidar de crianças, mulheres e dos menos favorecidos, teve vida difícil, sempre tendo uma palavra de esperança e superação como as entidades de luz da umbanda.

Características:

O que é mais importante falarmos é que suas nuances e preferências, condizem com baianos, não necessariamente com malandras, pombagiras ou mestras catimbozeiras.
Gosta de coquinho, cachaça, cachaça com mel (pinga com melado/meladinha), fumo de palha (cigarro de palha), fumo de rolo, cigarro de filtro branco, panos de cabeça (torço/ojá), lenços, chapéus de palha ou o mais simples possível, saias com roda, coco seco, argolas, pulseiras, colares, punhais, peixeiras (facas/apenas no astral/ raramente na mão de médiuns), dendê, comidas nordestinas (principalmente a farofa).

Algumas das Falanges de Maria Navalha na Linha de Baianos:

Maria Navalha de Alagoas, Maria Navalha do Maranhão, Maria Navalha do Sertão de Pernambuco, Maria Navalha do Recife, Maria Navalha do Sertão do Piaui, Maria Navalha da Paraíba, Maria Navalha do Rio Grande do Norte, etc.

Obs: Essas falanges correspondem as formas de atuação dos Baianos da Umbanda, não as falanges de Malandros e Malandras.

Espero que vocês tenham gostado ! 

Salve Maria Navalha ! É da Bahia meu pai !
Salve a Baiana Maria Navalha !

terça-feira, 4 de julho de 2017

Maria Navalhada, Sete Navalhadas, Maria das Sete Navalhas, Sete Facadas e Sete Punhais:

Olá amigos, seguidores, irmãos de axé, hoje venho trazer um pouco mais das mulheres da esquerda, que podem trabalhar como pombagiras ou como malandras, as senhoras da lâmina, as mulheres do corte, as sérias moças que trabalham no fio da Navalha, espero que vocês gostem.
Vamos diferenciar todas elas, e antes de fazer isso, é importante dizer, elas não são a mesma classe de espíritos, cada um desses nomes é um agrupamento espiritual, com coisas semelhantes em alguns aspectos, mas não em sua totalidade. Também precisamos desfazer o nó utilizados por alguns em dizer que além de serem a mesma, todas vem a partir de Navalha, não, sem confusões, Navalha é um nome espiritual, um conjunto enorme de significados, com diversas faces, que eu particularmente chamo de faces de Maria, já que ela pode ser catimbozeira (Mestra), Baiana, Malandra e o mais raro Pombagira. Eu levei muitos anos para entender, aceitar e compreender o mistério de uma Navalha Pombagira, já que só conheci suas outras faces. Na minha casa só trabalhamos com seu mistério como Malandra, mas que Maria tem diversas faces, isso é verdade.

Retomando aos nomes que irei explicar hoje, essas são mais comuns no trabalho como Pombagiras, são entidades muito complexas, de difícil trato, mas que trabalham bem na densidade das demandas que surgem para nós. Essas senhoras são as damas que vem com seriedade, força e grande mistério, trabalham incansavelmente com o corte advindo dos seus instrumentos, e estes não se resumem apenas em navalhas, navalhetes, essas mulheres trabalham astralmente com facas, punhais, giletes, entre outros. tudo imensamente afiado para retalhar as energias emanadas por irmãos negativados, as damas de corte trabalham cuidando de obsessores, defendendo seus médiuns, terreiros, ou seja, são protetoras que merecem imenso respeito e consideração.

Alguns desses nomes foram oferecidos pela espiritualidade, mas nem sempre eles tem haver totalmente com os agrupamentos, nem sempre essas mulheres desencarnaram com mortes por cortes, foram retalhadas, ou esfaqueadas. Algumas utilizavam os instrumentos em suas épocas, para os mais diversos fins, ou seja, aqui existe desde a mulher que cortava os alimentos, a mata, a caça, a mulher que lutava na capoeira com navalhas, até a bruxa que usou seu punhal em algum momento importante, são inúmeras as circunstâncias para estes nomes, eles surgem e vem como presente, já que estar prestando a caridade é ajudar sobretudo a si mesmo e ainda contribuir com o próximo.
Sendo Pombagiras ou Malandras, sempre são de humor a meio termo, tendo com característica o trabalho, os feitiços. como grandes mandingueiras que são, trabalham nos mistérios ocultos, são fortalezas de sortilégios, cuidado com elas, cuidado ao tratar, respeito ao chamar, aqui podemos saravar como moças da noite que são. Salve a Malandragem ou Laroiê não faz diferença para elas, como faz para outras "Malandras" da Umbanda, inclusive atuam mais em roças de candomblé.

Aqui apresentamos apenas agrupamentos espirituais, mas cada agrupamento tem suas falanges de trabalho e atuação.

Maria Navalhada - Confundida muitas vezes com Maria Navalha, é uma das falangeiras de Oyá, é sempre ágil no terreiro, muito imponente, é uma entidade forte, vaidosa, pode ser falante ou não, dependendo da falange, abriga muitas mulheres que foram de vida fácil, se bem tratada é faceira, gostando de trabalhar para amor e prosperidade.



Maria das Sete Navalhas/Sete Navalhas - Em tempos antigos foi catimbozeira, grande mandingueira, trabalha com sete navalhas completamente firmadas, não é de brincadeiras, sempre com a língua afiada, conta verdades sem rodeios. Suas Sete Navalhas simbolizam suas formas de trabalho, executa, corta, ajusta, acerta, pondera, firma e ordena, trabalha com ordens de Oyá, também podendo trabalhar com médiuns do Orixá Ogum, não é comum sua presença nos terreiros, tornando seu mistério complexo e raro.

Sete Navalhadas - Atua junto com o Malandro de mesmo nome, tem história triste, o agrupamento dessas mulheres traz as violências que sofreram, por isso, costuma trabalhar levando sofrimentos, mágoas e dores. Trabalha no combate as demandas, gosta de feitiços, porém, prefere atuar como defesa nos terreiros. Tem maior regimento de Ogum, porém também vem por Oyá.

Sete Facadas - É um nome espiritual pertencente ao agrupamento sob ordens de Oyá, são muito sérias, extremamente fechadas, não gostam de seus trabalhos expostos, exigem muito de seus médiuns, exigem dedicação, seriedade e respeito, normalmente não falam muito, só sendo chamadas para executar trabalhos nos terreiros.

Sete Punhais - Essa sinhá Dona é muito bonita, tem humor a meio termo, é uma entidade rara, simples e nova, não é comum vermos seu nome divulgado, porque ela mesma é nova na linha, trabalha muito com falanges de Zé Pelintra, é raro vermos seu trabalho com outras mulheres, mas pode trabalhar junto sem problemas, é bonita, catimbozeira, gosta de mandingas, podendo atuar junto a linha dos baianos, sempre verdadeira, cobra muita fé de suas médiuns, pois é na fé que ela resolve as coisas, se duvidar, já viu, pode esquecê - la. Costuma trabalhar com regimento de Ogum e Oyá também.
Todas as Moças aqui citadas tem suas falanges, histórias, fundamentos, campos de atuação, alguns aspectos elas tem em comum, outras só as próprias entidades para trazerem em cada terreiro, dividirem com zeladores, cambones e médiuns.

Características:

Cores: Podem usar branco, preto, vermelho e dourado, porém costuma prevalecer o vermelho.

Indumentária: Utilizam saias, é raríssimo usarem calças, muito difícil mesmo, mas podem pedir também. Costumam usar saias simples, não costumam pedir babados, fendas ou enfeites, mas gostam de tudo organizado. Algumas usam lenços de várias formas, inclusive como instrumento de trabalho, podendo ou não colocar nos chapéus. Algumas apreciam flores nos chapéus, depende do trabalho, falange.

Bebidas: Cachaças fortes, coquinho, cerveja, conhaque, batidas, entre outros.

Comidas: Apreciam muito farofas nas oferendas, farofa com carne seca, gostam de linguiça calabresa, azeitonas (pretas principalmente), cebola (principalmente roxa), salame, jiló frito, sardinha, ovo de codorna, entre outras.

Fumo: cigarros de filtro vermelho e charutos.

Religiosidade: São extremamente feiticeiras, então costumam atuar com Pombagiras, Pombagiras Mirins, Exus e alguns Baianos. Podem trazer encantarias ou bruxarias de suas vidas, origens e passado, varia um pouco.

Fundamentos: Navalhadas, Navalhetes, giletes, punhais (preto, branco, amarelo e preto, preto e vermelho, vermelho e branco e o branco), facas (astral/firmezas) nunca como objeto de trabalho mediunizado, ou seja, na mão dos médiuns. Dados coloridos, dados vermelhos, dados brancos, lenços, flores, fitas, bebidas (cachaça), cigarros, capoeira, ervas, dendê, moedas, pólvora, azougue, pimentas,  entre outros.

Eu espero que vocês tenham gostado !

Salve as senhoras de corte ! Salve as Damas das Lâminas !

Axé.



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