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sábado, 4 de maio de 2013

Seu Zé Pelintra do Morro da Mangueira





Seu Zé Pelintra do Morro da Mangueira, é um malandro antigo, tem cadência no samba, sabe chegar, foi cliente da Estudantina, Amante da Gafieira e nos Bares de Esquina se criou, é um Malandro sério, fechado, que foge ao arquétipo Malandro divertido de Umbanda. 

Tem incorporação pesada, é meio rústico até, é fechado e não é de falar muito, porém quando fala, olha atentamente nos olhos e sempre é para deixar alguma reflexão na pessoa, tem um porte fino, e não é de beber ou fumar muito, somente o necessário para trabalhos. 

Aprecia Cervejas, Pingas e Batidas, fuma cigarro de palha, cigarro de filtro vermelho e até mesmo charutos. Foi envolvido com muitas coisas erradas, drogas, prostitutas, agiotagem, e principalmente jogos ( incluindo Jogo do Bicho ) mas nem sempre foi um fora da lei, teve que aprender num desencarne infeliz o preço da vida, fez o que queria e o que não queria, fez muitos sofrerem, alguns espíritos que até hoje não o perdoam, por isso ele é tão na dele, porém é um Malandro muito sincero. 

Dos Zés é o que baixa menos nos Terreiros. Do Morro existem muitos, mais do Morro da Mangueira são poucos. E é lá que está guardada toda sua história, nos becos estão suas memórias, na época onde o Bagulho era o que importava, a próxima cerveja e a mulher que tivesse. 

Só amou duas coisas na vida, uma mulher e o Samba, esses eram seus verdadeiros amores. Amou o Samba como a ele mesmo, estava no seu sangue, no corpo, na ginga, na alma. A Mangueira era sua Paixão, aquela escola, aquele Morro, aquela vida, vida que ele levou rasgado, conseguindo tudo o que quis e não medindo as consequências. 




Vou colocar aqui uma Canção que tem tudo a ver com esse Malandro :

A alegria não durou, pois ele teve que voltar

Para o Morro da Mangueira que é seu lugar

Para não magoar a baiana

Aquele bom malandro cantou

Que em Mangueira a poesia, feito o mar, se alastrou

Tudo começou quando ele chegou na Bahia
Cantando aquele samba de Tupi de Braz de Pina
Conhecendo a malandragem ali do Pelô
Sem mais nem menos ele avistou
A baiana faceira subindo a ladeira
Filha de Orixá Iaiá mandingueira
Uma idéia, um olhar, então se cruzaram
Como num sonho encantado se apaixonaram
Foi aí que começou uma linda história de amor
A baiana pelo forasteiro se encantou
Só que aquele romance não duraria muito tempo
Pois o malandro voltaria para o Rio de Janeiro
Era mandingueiro, tocava berimbau
Na hora do Quebra Jereba não corria do pau
Capoeirista de moral, respeito e fé
Dobrava um rum como ninguém nas gírias de candomblé
Bem alinhado, vestido todo de branco
Uma pena azul no chapéu pra saudar o Santo
E cantava, ah! Como ele cantava
Pra Oxossi, santo que em sua cabeça mandava
E ao cantar rezava mesmo no seu inconsciente
Não gostaria que sua baiana sofresse
Pois chegara o dia de sua partida
E sua baiana ele nunca mais veria...

Um malandro não casa
Um malandro não é feliz
Um malandro não é feliz
O seu destino não quis

Aquela baiana ao ver seu homem partir
Dali pra frente dificilmente voltaria a sorrir
Aquele navio que zarpara com destino ao Rio de Janeiro
Levara seu amor único e verdadeiro
Igomar Navarro, Neguinho da Mangueira
João da Baiana, nascido na Estação Primeira
Respeitado em Madureira, no Jongo da Serrinha
Portela, considerado na favela
Na Praça Onze era o Rei do Carnaval
Relíquia natural de um Brasil desigual
O Carnaval era a festa do povo
Das comunidades, da gente do morro
E do morro ele olhava o povo
Trabalhando, sofrendo, passando sufoco
E dizia: Oxossi existe, eu sei
Por isso eu também tenho um Rei
E cantava com sua bela garganta afinada
Compunha com sua mente iluminada
O coração batia, a saudade apertava
Pois da sua baiana se lembrava
Um homem de várias mulheres, várias ilusões
Poucos sonhos, muitas decepções
No seu mundo de sambas e canções
Morreu degolado nos braços de uma de suas paixões
Considerado hoje até nas Amoreiras
Nascido e criado na Estação Primeira
Levou com ele três coisas, a Mangueira, o samba
E a sua inesquecível baiana

Em Mangueira a poesia, feito o mar, se alastrou

Um malandro não casa...

Autoria de Braiam e Sam.

Nome - História de Um Malandro.

Interpretação de Braiam.



Pontos Cantados do Malandro Zé Pelintra do Morro da Mangueira :


"LÁ NO MORRO DA MANGUEIRA
EU VI SEU ZÉ DANÇAR
CADA PASSO QUE ELE DAVA
TINHA UMA HISTÓRIA PRA CONTAR !
LÁ NO MORRO DA MANGUEIRA
EU VI SEU ZÉ DANÇAR
CADA PASSO QUE ELE DAVA
TINHA UMA HISTÓRIA PRA CONTAR !

NO PRIMEIRO A SUA VIDA
E POR ONDE ELE PASSOU
NO SEGUNDO A VIVÊNCIA
QUE DAQUI ELE LEVOU

COM SOFRIMENTO E DOR
SEU CORAÇÃO SE LIBERTOU
NEM POR ISSO ELE DEIXOU
DE CULTIVAR A HUMILDADE
PRA SEUS FILHOS DA UMBANDA
VEM FAZER A CARIDADE

VEM CHEGANDO, VEM DANÇANDO,
VEM TRAZENDO A SUA LUZ,
NEM POR ISSO ELE DEIXOU,
DE CARREGAR A SUA CRUZ,
QUE SÃO MARCAS TÃO PROFUNDAS,
QUE A ELE SÓ CONDUZ."

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"ZÉ PELINTRA, PEGUE O SEU CHAPÉU !
VEM PRA GAFIEIRA
DANÇAR E BAILAR !
ZÉ PELINTRA, PEGUE O SEU CHAPÉU !
VEM PRA GAFIEIRA
DANÇAR E BAILAR !

Ô, ZÉ !
DE CHAPÉU E BENGALA !
VEM BAILANDO NA PONTA DO PÉ ! Ô, ZÉ !
Ô, ZÉ !
DE CHAPÉU E BENGALA !
VEM BAILANDO NA PONTA DO PÉ !"

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"Seu Zé Pelintra não tinha onde morar,
Ele arrumou um Barraco de Madeira,
Foi Morar com a Padilha,
Lá no Morro da Mangueira."



Salve a Malandragem !




Saravá Seu Zé Pelintra !




Salve o Malandro Zé Pelintra do Morro da Mangueira.
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