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Rádio da Malandragem - Blog Malandros e Malandras;

sábado, 30 de abril de 2011

Copo Do Seu Zé!


Artesã : Dani Rocha 

Copo encomendado para presentear seu Zé, feito a mão e personalizado conforme pedido.
Aceitamos encomendas em diversas cores e modelos.
Preços especiais para pedidos acima de 3 peças.

Copo do Sr Malandro Zé Pelintra;


Queridos Seguidores,começarei uma Postagem ,um pouco incomum,sendo ela muito interessante,na minha Humilde opinião;

Colocarei imagens e fotografias encontradas na net,de copos,tulipas,e outros tipos como Taças para Malandras e Malandros.

Quando puder ,também colocarei os Artistas que a fizeram ,ou pelo menos onde podemos encontra-las !

Espero que os mesmos não me processem ,pois meu intuito é bom de divulgação e apreciação desta linda arte,que é o Artesanato em Vidro ( Principalmente copos).

Um Abraço Fraterno !

Moderadora do Blog > A Cartomante.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Malandro Beto do Sobrado;




Partindo do princípio de suas origens e costumes, os Malandros formam uma colônia de “PESSOAS” espíritos de postura fidalga, com um orgulho machista e elegante ao cortejar o próximo. Muitos são os registros de Malandros na história pelas psicografias, aparições, etc... . Ninguém se chama Malandro, não é verdade? Atente-se então que Malandro é o batismo de uma colônia espiritual em que cada
Malandro tem seu nome próprio da última encarnação. É um ocultismo dos nomes reais destas entidades. Dentre muitos outros que às vezes revelam seus verdadeiros nomes só a quem lhes interessar um dos Malandros historicamente descritos e pouco visto ou ouvido falar no Santo é o Malandro BETO DO SOBRADO.

Homem hiper elegante que desaparecia de 2º à 5º feira, mas de 6º a Domingo abria-se a porta do sobrado e surgia um dos homens mais elegantes da noite, cada semana com um detalhe diferente. Destino do que ganhava, Compram de Jóias, roupas e sapatos.  Malandros tinham o ato de driblar as dificuldades da vida e não obrigatoriamente ver-se que Malandros eram maconheiros, ladrões e marginais.

Pelo contrário eram homens que amavam os jogos, pois ali se aventurava uma possível riqueza momentânea, amavam dançar e não admitia mulher pagar nada, só ele pagava e cortejava as noites. Assim também foi a vida do MALANDRO BETO DO SOBRADO, que um dia aos 51 ANOS, morreu dormindo e seu corpo foi encontrado em seu sobrado. Seus maiores tesouros eram as jóias cromadas, jóias de ouro, prata, seus lindíssimos sapatos e suas alvejantes e impecáveis roupas brancas. Ao seu lado na cabeceira, uma oração escrita em próprio punho para São Jorge. Assim como o MALANDRO BETO DO SOBRADO existe muitas outras histórias interessantes sobre Malandros. E QUE UM DIA PAREM de achar que MALANDRO é cachaceiro, ladrão e tudo de ruim.


Autor: lembá Lerecinã, texto revisado e modificado, conforme minhas considerações.


Imagem também retirada do mesmo site .

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Nomes de Malandras e Malandrinhas na Umbanda ;


 

Malandra Maria Navalha

Malandra 7 Navalhadas

Malandra Catarina das 7 Navalhadas


Malandra Maria Navalhada


Malandra 7 Saias do Cabaré

Malandra do Cabaré

Malandra Maria do Cais

Malandra Maria do Baralho 







Malandra Ritinha

Rosinha Malandra


Malandra Rosa da Lapa


Malandra Rosa do Cabaré


Malandrinha das Almas



Malandra das Rosas Vermelhas

Malandra Maria Pelintra,Rosa Pelintra e Joana Pelintra ( Da Falange de Seu Zé Pelintra )

Rosa Malandra ( a Dama da Noite )

Malandra Maria Alzira das 7 Encruzilhadas

Malandra do Morro

Malandra da Lapa

Malandra Navalha da Lapa

Malandra das Rosas Vermelhas dos Arcos da Lapa


Malandra da Estrada


Malandra Navalha da Beira do Cais



Malandra Maria Sete Navalhas


Malandra Maria Navalha do Cabaré

Malandrinha da Rosa Vermelha

Malandra do Cruzeiro das Almas









Malandrinha do Morro

Salve todas as Malandras,queridas da Nossa Umbanda!

Salve a Malandragem !

domingo, 17 de abril de 2011

Chapéus de Malandro;


Chapéus de Malandros;

Nego Orlando : Um Malandro de Verdade ;




Cidade de praia, maior porto da América Latina, Santos foi pródiga em malandros. Uma ilha cercada de um lado por uma espécie de malandragem antiga, romântica e até mesmo folclórica, que tinha por habitat natural a área próxima do cais.

Era uma gente brava, rude, sem medo da vida ou da morte. Gente que abriu seu caminho a navalha rumo à celebridade, com passagens marcadas pela crônica policial. Gente com ficha corrida, em lugar de biografia.

Gente do porte de Toninho Navalhada, China Show, Balu, Cabo Verde, Onça, Peixinho, Maneco Lalau, Simião, Nego Orlando e muitos outros bambas. Essa gente fez a fama e deitou na cama. Literalmente. Aliás, deitou e rolou. Principalmente nas docas, região mais conhecida como Boca. Essa gente merece homenagem. Porque também é gente nossa.

Nenhum daqueles bravos nasceu malandro. A vida se encarregou disso. Vida sem amor de mãe nem cafuné, sem escola nem recreio, sem estia. Vida dura. Vida madrasta. Vida sem outra saída que não fosse o caminho do paredão do porto, da rampa do mercado, dos cafofos das meretrizes, dos bares e boates das ruas General Câmara, João Octávio, João Pessoa e adjacências.

Entre ser mais um joão-ninguém ou zé-mané dos tantos que perambulavam pela cidade, cada um daqueles valentes preferiu merecer a alcunha de joão-valentão. E muitos mereceram. Mesmo.



Parecia igual aos outros, mas não era.

Nego Orlando foi um. E dos maiores, sem trocadilho. Alto, forte, bom de perna (era um bailarino) e de braço, Orlando impôs um novo estilo de malandragem ao pedaço. Parecia igual aos outros, mas não era. Ele também vendia proteção aos inferninhos, prostíbulos, bares e restaurantes do pedaço. Mas o fazia de um modo diferente. Sem alarde nem estardalhaço, na manha.

Ao menor sinal de barulho, desfilando com um sorriso na cara, Nego Orlando simplesmente retirava o pretenso brigão da área sem esforço aparente. Onde ele estivesse não tinha briga. Nem confusão. Ponto final. 

Assim, conquistou uma clientela fiel. Uma carteira de clientes, no entorno da Boca, de fazer inveja a muito malandro das antigas. O preço a pagar não demorou. Orlando sofreu atentados, encarou combates ferozes, desiguais, mas levou a melhor. Sempre.

Sua rixa com Toninho Navalhada, por exemplo, ficou famosa até na imprensa local. E dividiu a malandragem. Tinha quem torcesse por um, ou por outro. Fanaticamente. E havia até quem apostasse.

Mas naquela guerra não correu sangue. Nem uma gota. Porque se o Toninho era Navalhada, o nego era Orlando. E mais ele. Aliás, muito mais, graças inclusive ao inseparável Smith & Wesson 38. Diante de um adversário de tal calibre, Toninho enfiou a navalha no saco. E pediu paz. Orlando seguiu em frente. Com seu gingado característico.

Todo dia, ou melhor, toda noite, dava plantão no Samba-Danças, o maior táxi-dancing de Santos. Alta responsabilidade. Ali, onde cada música dançada valia um picote no cartão da moça escolhida (e quem sabe mais tarde também num hotelzinho da região), Orlando reinava. Absoluto.


 

 Um dançarino incomparável!

Bastava entrar no imenso salão (cujo piso de madeira brilhava mais do que a luzidia careca que ostentava), para que os pares se retirassem às suas respectivas mesas. Mas aquilo não era medo. Pelo contrário. Era sinal de respeito e admiração. Porque o negro era um dançarino incomparável, sem rival naquela pista ou em qualquer outra da cidade. Orlando era único. E sabia disso.

Certa vez, foi preso. E condenado. Mas não se abalou. Foi tirar seu tempo na Ilha Grande. Tranqüilo. Devia, tinha de pagar. Tudo corria bem até que houve uma revolta. Os presos se rebelaram, tomaram as armas dos guardas e resolveram atacar as casas e a escolinha onde estudavam os filhos daqueles pobres funcionários da lei.

Orlando acompanhou a turba. E sentiu cheiro de sangue o ar. E de maconha, e de cachaça, e de estupro. Os bandidos iriam barbarizar.

Chegando à porta da escola, Nego Orlando, faca na mão, pulou na frente dos agitadores. Mandou que parassem. Falou em alto e bom som. Aquele que desse um passo à frente seria morto. Por ele. A galera estacou. O homem não estava blefando. Seu rosto expressava uma terrível determinação. Ninguém teve peito de encarar a fera.

A coragem insana de Orlando salvou a vida da professora e das crianças. E, de quebra, também de alguns guardas. Como prêmio, teve sua pena suspensa. Foi anistiado. Voltou às ruas. E à liberdade da vida boêmia que tanto amava. Só não voltou a entrar em cana. Nunca mais. Malandro que é malandro sabe onde pisa. Para não tropeçar.



Um princípio de sururu estourou...

Muitos anos mais tarde, ainda enxuto e bem conservado, Nego Orlando estava num restaurante do bairro do Gonzaga, jantando calmamente com sua velha companheira de dança. E de vida. Já estava de saída, tomando o cafezinho, quando um princípio de sururu estourou numa das mesas.

Um rapaz, que também estava acompanhado, discutiu com uma turma de homens mais velhos. Orlando prestou atenção. Viu que o jovem não se intimidou. Gostou daquilo. Depois, entendeu tudo. Um dos trintões havia dito um gracejo para a bonita garota. Daí o bate boca. Que logo se transformou em briga.

Seria um massacre. Seis homens feitos contra um jovem de vinte anos. Seria. Mas não foi. De cadeira nas mãos, o rapaz se preparou enfrentar aquela verdadeira horda de bárbaros. De repente, um negro ágil saltou no meio do grupo. Pernadas daqui, cabeçadas dali e, em questão de segundos, os seis valentes estavam estatelados na calçada.

Em pé, Orlando avisou:

"Chega de brincadeira, vão desguiando. Se alguém teimar, vou dar pra valer!"
O rapaz não acreditou no que viu. Os homens se levantaram e foram embora. Mudos. Depois é que reparou que o negro estava armado, quando ele sutilmente repôs o revólver na cintura.
O jovem se apresentou. Agradeceu a ajuda. Orlando levou o casal para sua mesa. Conversaram. Só então o rapaz ficou sabendo que estava diante do famoso Nego Orlando, uma lenda viva da noite de Santos. Falou que seu pai contava que era amigo dele.

Orlando sorriu, com certa vaidade. Depois, perguntou quem era o velho dele. O jovem disse. Orlando ficou sério, emocionado.

E confessou:

"Quando estava tirando meu tempo, lá na Ilha Grande, seu moço, eu só recebi duas visitas. Uma foi essa senhora aqui, a minha patroa. A outra, foi o seu pai. Olha, rapaz, dê um abraço forte no Carlos Alberto. Diga que foi Nego Orlando quem mandou!"

O tempo passou, nas voltas e reviravoltas que o mundo dá. O rapaz mudou para São Paulo, estudou, foi trabalhar em propaganda. Depois, casou, vieram duas filhas, um cachorro. Virou um homem de meia-idade. Mas continuou ligado às suas raízes santistas. O cheiro da maresia nunca saiu de sua memória olfativa. E afetiva.
Morre Nego Orlando
Até que, num sábado, em visita a Santos, abriu o jornal da cidade para espiar as notícias locais. Na primeira página, uma chamada discreta: "Morre Nego Orlando".

Sua pressa foi tanta que chegou a amassar o jornal em busca da matéria. O texto, respeitoso, reverente, dava conta de que o famoso Nego Orlando, há anos lutava sua última batalha. Contra um câncer devastador.

Mas a matéria dizia também que ele nunca se entregou à doença. Ao contrário. Lutou enquanto pôde, ou teve forças, para vencer aquele inimigo covarde, que havia se escondido em suas entranhas. Lutou como um bravo, como o valente que sempre foi. Até o fim.

O homem fechou o jornal. E os olhos. Subitamente, lembrou das histórias legendárias de Orlando, que ouvira em sua infância, narradas por seu pai.

Imaginou o salão do Samba-Danças, imenso, imponente, engalanado. A orquestra atacando um mambo de agradar ao próprio Xavier Cougat. Os casais balançando seus corpos, envolvidos pelo ritmo sensual, latino, irresistível.

Então, viu Orlando entrar na pista. O negro de branco da cabeça aos pés. Num terno bem cortado de linho S120, com paletó jaquetão, ele contrastava com sua parceira, toda de vermelho.

O mambo não aceita desaforo. Quem sabe, dança. Quem não sabe, assiste. Para fugir do vexame. Orlando e a dama de vermelho eram do ramo. Dançavam o fino. Tanto que apresentavam, em pé, todo um repertório de requebros, que os simples mortais só conseguem fazer deitados. Numa cama, bem entendido.

Que espetáculo! Da cintura para cima, o negro dava a impressão de que estava imóvel. Mas, dali para baixo, o bicho pegava. Era quase impossível enxergar suas pernas, tamanha a sua rapidez de movimentos. Era um capoeirista. Nato.

O homem abriu os olhos. Pôs o jornal de lado. Sorriu. Não, não havia nada a lamentar. Porque Nego Orlando agora estava em casa.


Texto de : Carlos Bittencourt Ferreira

Boêmia Carioca;


Personagem e cartaz desenvolvido para O Grupo de Sampa e Pagode Boemia Carioca.




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