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Rádio da Malandragem - Blog Malandros e Malandras;

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Maria Navalha



Maria Navalha foi brasileira legitima e carioca do bairro da Gamboa, zona portuária da cidade maravilhosa.

Sua historia começou no final do século XIX,quando o bairro ganhou a primeira favela que se tem noticia, lá no Morro da Providência. Foi onde nasceu e cresceu uma mestiça de nome Maria.

Linda, alta, forte, dona de um olhar magnético que chama atenção. Os sofrimentos deram-lhe uma personalidade determinada e valenteia. Aprendeu a se virar sozinha, pois desde cedo perdeu os pais e foi morar na rua.





 Uma menina abandonada não tem muita opção e logo foi introduzida no mundo da “vida noturna” e da malandragem, onde teve famosos mestres e mestras que a iniciaram na vida noturna. Foi nas ruas, cabarés e bares que a jovem Maria construiu sua fama e adquiriu seu “apelido”. Contam que ela bebia com um marinheiro, fumava como um estivador e brigava como um leão de chácara, mas sem perder a feminilidade.

Capoeiristas famosos a respeitavam e tinha homem grande que tremia diante dela. Escondida no belo corpo sempre levava uma afiada navalha.

Com seu gênio briguento conseguiu muitos inimigos. Nenhum deles tinha coragem de enfrentá-la de frente, cara a cara.
  

Toda sexta-feira era sagrada para Maria. Ela se arrumava e ia para a Macumba, culto sincrético e respeitado nos ambientes mágicos do Velho Rio de Janeiro.



A sessão começava tarde da noite e no pequeno barracão do morro, ao som dos atabaques e cantigas, os Deuses da África e os Espíritos baixavam juntos. Assim era o alegre canjerê, tudo misturado e sem uma ordem formal. Aqui rodava Orixá, ali consultava um caboclo do mato e ao lado pitava um preto velho.
   
A macumba era o culto do povo, dos simples e dos sofridos... Não era um antro de magia negra ou templo do demônio. Isso era o que diziam os preconceituosos de plantão, racistas, carolas e endinheirados ignorantes. Este tipo de gente ainda gosta de criticar as religiões de matrizes caboclas e africanas.

Foram nestas históricas macumbas cariocas que as almas dos primeiros exus (refiro-me aos espíritos e não ao orixá) baixaram.



Somente mais tarde, com o advento da religião de Umbanda, é que estes trabalhadores do Mundo Invisível vão sendo reconhecidos em sua total grandeza e sobrenatural mistério. Nesta época Exu era, sobretudo, o amigo do pobre, do desvalido, do injustiçado e da prostituta. O Rei da Noite e o Imperador da Macumba. 

Dona Maria Navalha ouviu muito os conselhos dos Exus, despachou nas escuras encruzilhadas do porto, fabricou talismãs e usou figas. Ensinou banhos e simpatias para as colegas de trabalho, ouviu problemas dos clientes e enxugou lágrimas de muitas vizinhas. Era uma alma generosa dentro do corpo de uma guerreira.

A primeira parte da vida desta mulher terminou numa noite sem Lua. Ao cruzar um beco foi surpreendida por trás e levou uma fatal facada de um inimigo. Morreu na rua onde viveu e trabalhou. Começava a segunda parte de sua vida. Faleceu Maria mulher e nasceu a Maria entidade.





  Depois surgiram as lendas e muitas coisas foram ditas a respeito dela. Contam que foi amante de Zé Pelintra e até que o matou! Que ela teve trinta e três maridos, amantes estrangeiros e etc. Dona Maria Navalha entrou para a história e virou mito. O certo é que depois de morta ficou mais viva que nunca.

Certa noite, desta vez lindamente enluarada, durante uma sessão de Macumba no Morro, Dona Maria baixou no Terreiro... Incorporou numa menina Negra magrinha que estava num canto. Maria Navalha ergueu aquele frágil corpinho, tomou um aspecto imponente e falou para a assembléia que ficou maravilhada!

Salve Dona Maria Navalha!

Esse texto é parte do acervo do maravilhoso Jornal de Umbanda Sagrada.

Eu desconheço o autor dele, mais quero parabenizá-lo pelo incrível talento. 


Um comentário:

  1. minha linda malandrinha...
    eu a amoo muito...
    ela ja me ajudou muito ,e até hoje ma ajuda.

    parabéns pelo trabalho de vcs,adorei a historia , que maria navalhaabra o caminho de todos nóis!!!
    LAROYE E MOJUBÁ!

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