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terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Capoeira e Dona Maria Navalha ;






 “Matei muito gringo por dinheiro... Rondava o cemitério perto do porto e lá eu ficava. Como eu também não conhecia as coisas, usei do que eu sabia fazer, que era às vezes dar uns coices nas pessoas na Capoeira pra ganhar o que eu queria. Eu participei das rodas pra lutar, não pra dançar, nem pra gingar.


Eu usava as navalhas sempre que preciso. Sempre que eu precisava e que achava que eu precisava - pra mim tudo era motivo para usar. E eu não tinha só uma, eu tinha três. Duas nas pernas e uma atrás. Porque quando você dança, quando você luta, você pode pegar de vários lugares as navalhas.



Então, eu ficava rodeando aquele cemitério e me escondia no porto. Seguia no meu dia a dia, com os peões, os homens, as biritas. E sempre na rua. Os lugares onde eu dormia também eram na rua. Perto do porto - que é de lá que eu venho, da linha do mar.











Assim eu fui até o dia em que um homem - que eu já encontrei - me rapou por trás e me degolou inteira! Mais uma cicatriz.
Então eu fiz da minha vida, o meu trabalho, para poder evoluir.
(Se Oxalá liberar, não é?)” 






( Capoeira - Criação do Artista Brilhante Rodrigo Martins Almeida ) 



( Idealização do Artista Maravilhoso - Lazarini / Capoeira Feminina )





Trecho da Entrevista a Entidade Maria Navalha, realizada na gira de Quimbanda de 17 de maio de 2010, no Terreiro do Pai Maneco.
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