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Rádio da Malandragem - Blog Malandros e Malandras;

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Lapa de Miguel Camisa Preta :




MIGUEL CAMISA  PRETA.....

Os palavreados nasciam na Lapa, subiam os morros e iam para Copacabana e Leblon. Vez ou outra chegava a Tijuca quando passavam com destino a Vila Izabel. A malandragem, os Proxenetas e Cafetões se esbarravam nas vielas dos becos do Centro e se podia notar o respeito quando, num balanço mágico de corpo, se sacava quem tinha ou não tinha navalha no bolso de trás.

As brincadeiras de "Tem Pente Ai"?, levando a mão na bunda do amigo, nasceu nestas buscas de navalhas escondidas. Nesta época, o Rio de Janeiro, lançou um pente que se abria em formato de navalha em homenagem a estas escondidas armas, usadas por malandros e prostitutas da lapa....

Havia um bandoleiro (carne--seca) que usava esta arma para cortar pessoas quando o bonde deixava as madrugadas com destino a Muda ou Santa Teresa. Depois de longas maldades humanas foi preso e quase linchado nas imediações do Arco da Lapa, pelos malandros. Era uma afronta para a malandragem e para  madane Satã  gente enlameando a área.
 HAVIA grandes malandras, belas prostitutas, malandro MIGUEL CAMISA PRETA, madame satã, Bôa Noite e o Velho Edgar. Faziam "ponto" no Ponto Azul, Bola Preta, Arcos, Maraguape, Mauá, Estácio e Glória.
Hoje, aos 70 anos revejo estes lindos momentos desta Lapa Boêmia que meu amigo Nelson Gonçalves tanto cantou, amou e frequentou...

Isto era um pouco do Rio nos anos 40 e 50...


Sempre tive uma alma excessivamente curiosa e ia em todas. As vezes no Dancing Avenida na Cinelândia, outras vezes estava no Dancing Brasil furando os cartões e sempre que podia, no final da noite, uma esticada no Bola Preta, lanchava no Ponto Azul e dormia mesmo na Rua Riachuelo ou Visconde de Maraguape quando não na Frei Caneca, sempre acompanhado por belas prostitutas. Só ia para casa com o Sol do meio dia.

Quanto a Praça Mauá, suas noites eram alongadas e alegres. As Boates ficavam até o dia clarear, o Novo México, então virava o dia com gringos bêbados cheios de dólares que caiam pelas calçadas sendo levados por travestis e prostitutas espertas.

Antes que estas noites tivessem inicio gostava era de ficar tomando chope preto no Amarelinho onde se podia ver desde MADANE SATÃ e MIGUEL CAMISA PRETA, MIGUELZINHO, indo em direção aos bondes de Santa Teresa, até Orlando Silva se deliciando com suas pingas e chopes de colarinho.

Foi ai que conheci o famoso chope Preto do Bar do Luiz na Senador Dantas onde mais tarde passeei com Lúcia em nossa lua de mel nos anos 60. Interessante que quando estive na Lapa, andando na rua do Passeio com minha mãe Ecila, e falei de minhas andanças e passeios com Lúcia, ela disse que era um coincidência, pois tinha sido ali que ela passeava com meu pai nos anos 30, quando se casaram.

Ou a Lapa era mesmo um ponto turístico ou houve uma bela e divina atração nossa por este local tão boêmio do Rio de Janeiro.

Havia uma esquina  numa loja de Dandão e Gó na esquina onde se comia os melhores Galetos do Rio. Sempre que a noite caia e antes que as boates começassem o seu piscar de luzes avermelhadas e, o Amarelinho ainda tinha suas cadeiras estendidas no calçadão, era comum a gente vê muitos malandros e prostitutas transitando no local. Era no bar dos irmãos de Aciollio Pena e dona Lopelina que estes malandros passavam as longas noites do Rio boemio dos anos 40 e 50!!!
A lapa do Rio de Janeiro foi uma escola onde não faltou nada. Estava ainda com l9 anos e tudo estava no tom do afloramento. ....da descoberta!



Sempre de camisa de linho preto ou seda preta, com uma faixa preta atravessada no chapéu de panamá,em homenagem ao seu clube de futebol,o vasco da gama,  MIGUEL CAMISA PRETA, MIGUELZINHO era se não me engano,carioca da lapa,dos seus 40 anos, alto e jogava capoeira sempre rindo e cumprimentativo, ele sabia que os malandros do morro estavam ali só para bisbilhotar o mulato dono das mais belas prostitutas da lapa. O muro da casa do velho Chateaubriand dava para a rua particular do Camões e era fácil ver o vulto de MIGUEL CAMISA PRETA, MIGUELZINHO,
elegantemente vestido, levando uma famosa prostituta francesa loura para sua cama, se não me engano , pagando seu preço de trabalho, ela era conhecida como a  MARY DE MIGUELZINHO, prostituta que ninguem mexia ou desrespeitava....  .
OS malandros da lapa tinham sempre encontros agressivos com os malandros do morro . Uma espécie de revanche por causa das prostitutas que para eles trabalhavam. Quando havia alguma festa  na lapa era fatal algumas brigas. Lembro de Camilo, Reco e outros que gostavam das brigas. .

As noites no Rio de Janeiro eram como uma faculdade de vivências O Novo México com suas bailarinas importadas de Caxias ou de Buenos Aires tinha o ar refeito de luzes que piscavam em coloridos pobres e danças desconcertadas por marujos desengonçados. Num canto da boate, uns proxenetas contavam sempre dólares amassados tirados de bolsas e bolsos sujos para pagar as suas prostitutas e suas bebidas.

Alguns destes dólares eram surrupiados por novas prostitutas Alguns ingleses e noruegueses passavam em passos bêbados e balbuciando a linguagem universal do etílico. Neste inteligível universal caminham, transando a rua para os barco ancorados na Mauá. Um balcão ainda sujo com restos de cervejas brilha quando o Sol começava a penetrar seus raios nas mesas vindo da direção de Niterói.

Enquanto um velho, de braços ossudos e óculos picinez, reconta moedas que resvalam no Raio do Sol e vinha até minha mesa, no canto esquerdo do salão, que fedia a cigarro, cuba-libre e caipirinha com vodka. Era assim as madrugadas no Novo México numa das esquinas perto do centro da malandragem no Rio de Janeiro dos meus l9 anos.O charmoso mulato MIGUEL CAMISA PRETA, MIGUELZINHO, malandro da lapa  sempre estava lá  pré disposto a um longo papo nas madrugas.

Era ele  que, longe de ser violento, era respeitado por todos os malandros e frequentadores da lapa pelo alto índice de carisma e cuidados com as suas   famosas prostitutas marginais que usavam navalhas,famoso por  suas  pernadas capoeristas sempre bem certeiras....e suas musicas seresteiras que falavam da sua paixão pela loura francesa, prostituta que trabalhava nos bares da lapa para madame satã!

As vezes indo até a LAPA ou PRAÇA MAÚA  se podia diferenciar o ambiente. Algumas mulheres eram as mesmas e, se não fossem os métodos, poderiam se considerar na igualdade do socialismo mundano tão rico em peripécias e tão bonito de vivenciar. Na LAPA, alguns gringos. A maioria dos freqüentadores era mesmo da zona Sul e alguns forasteiros turistas paulistas ou mineiros.

A ainda não havia sido divulgado o Beco das Garrafas e os inferninhos ainda eram coisa de  prostitutas e malandros......a praça maúa” era cheia  mini-boate frequentadas por prostitutas e seus cafetãos. Havia o esbarramento com malandros famosos e temidos  que moravam na lapas e nos morros e iam nas noites, havia a diferença do malandro da lapa e do malandro do morro....grande diferença que limitavam suas atividades noturnas...
Um piano tocado por Agostinho dos Santos em inicio de carreira e alguns boêmios vindo do Antonius, ou do Jangadeiro, do barril l800, ou do Zepelin de Ipanema.

O Rio de Janeiro para mim, um menino saído das ruas empoeiradas de Macaé, tinha um caráter de curiosidade e encantamento. Claro que moleque criado nos bast fonds de Macaé, conhecendo desde Ermita até o Quadrado, passando por outras tantas das nossas noites, o Rio era como um Segundo Grau ou um Vestibular. Como não me dava bem nas aulas escolares, nestas aulas ia me saindo com notas acima de 7. Não entrava em bolas divididas nas noites e sabia onde estava e andava os meus limites e com isso fui sendo bem chegado ao ponto de em todos os mundos cariocas ter me dado otimamente bem como se estivesse sentado num barzinho das ruas puras de minha cidade.

O Barril l800 era onde se via os que podemos chamar de pequenos burgueses em alta e a classe média sul./norte em roupas de grife. A maioria era formada por freqüentadores do Alcazar, outro point da beira do mar de Copacabana, e que era onde se podia tomar de fato o melhor chope. Só era comparado ao chope do amarelinho ou do bar do Luís da Senador Dantas..

Uma mistura de música de gafieira com  Bossa Nova.....era  a  BOÊMIA!!!!!
Assim era este Rio de Janeiro onde as noites emendavam nas manhãs e o Sol se punha com toda a sua beleza dourando toda a extensão de lapa a copacabana.foi um bom Segundo Grau na escola da vida!!!. Mais tarde alguns macaenses foram tomando conta das noites. Lucas Vieira, de seu Manduquinha, foi tocar com Ivon Curi. Lucas, um dos mais requisitados pianistas das noites, recebia sempre os macaenses onde quer que tocasse.

Havia uma Macaé sempre presente no Rio de Janeiro e as noites haviam encontros que se prolongavam por horas e horas. O Rio ainda tinha o cheiro da e paz que ainda não conhecia o arranhamento do desnível social. Morro era mesmo morro do Chão de Estrelas e a Lapa tinha ainda o cheiro das pólvoras da torre da Igreja que faltava e que Adelino Moreira colocou no Samba que Nelson Gonçalves cantava. Bater samba em mesa do Amarelinho em caixa de fósforo e harmonia nos pés era toda noite nas madrugadas do Rio nos anos 40 e 50..

As sinucas eram freqüentadas e MIGUEL CAMISA PRETA, MIGUELZINHO, tomava seu café com leite calmamente antes de fechar o jogo da bola Vermelha ate a Preta , matando a 5, pegando a seis duas vezes e a sete no fundo. Era mesmo uma Lapa gostosa dos bondes de Santa Teresa e saídas para Tijuca e Meier.

Tudo girava em torno de um Rio de Janeiro bem interior e bem Carioca.O Bar Ponto Azul era sempre freqüentado por MIGUEL CAMISA PRETA e sua turma das sinucas da Riachuelo e Centro..MADAME SATÃ subia as ladeiras do Arco da Lapa num gingado típico das grandes marcas da malandragem....o único travesti malandro que a lapa temeu e MIGUEL CAMISA PRETA respeitou!

A alegria de MIGUEL CAMISA PRETA,O MIGUELZINHO,  era comentada por gente que o conheceu nas esquinas da vida do Rio de Janeiro. . Célio Ferraz, que morou na casa de MIGUEL no Rio, me contou, numa madrugada alegre no Bar São Cristovão, que MIGUEL  adorava as delícias de um Feijão Pingado com Curvina Frita, e que Benedito Lacerda criou as duas músicas vendo as menininhas saírem do Ginásio Macaense vestidas de Azul e Branco,e que MIGUEL CAMISA PRETA, O MIGUELZINHO,o ajudou a compor!!!.

A musica original era mais ou menos assim. “Vestida de Azul e Branco, trazendo um GM num bolsinho encantador..Depois eles adaptaram:. Trazendo um sorriso franco.nun rostinho encantador...

GM era a sigla de Ginásio Macaense que todas as meninas usavam na altura dos seios.



O Autor deste brilhante Texto é José Milbs de Lacerda gama (editor de www.jornalorebate.com )

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