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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Zé Malandro.II


José dos Anjos da Silva. Nascido em 19 de março de 1843, desembarcou no Rio de Janeiro, na Praça Mauá. Ajuda a todos que o procuram, sem olhar a quem, tanto o homem Adriano Figueiredo quanto o Senhor Zé Malandro, não diferenciam as pessoas que os procuram, ajuda a todos com perseverança.


Samba de Zé Malandro:
Oi, leva fé, leva fé nesse homem
Que esse homem é de ajudar
Você pode gritar por seu nome

Toda vez que precisar
.
Oi, salve a sua batucada
Sob a luz da lua
Numa linda madrugada
Nas esquinas, pelas ruas
.
E no seu samba tem muita cerveja
E muita mulher
Mas também tem caridade
Que ele presta a quem quiser
.
Pois é. é, pois é
Bate palma no samba do seu Zé
Canta forte minha gente
Que esse samba é de fé
.
Se no seu caminhar, se no seu caminhar
Encontrar algum perigo
Chama seu Zé, que ele passa contigo
Ele tem muita força, ele tem muito axé
.
Ele vem na Umbanda,
Gingando, cantando, sambando no pé
Todo de branco, vem malandreando
Só ajudando a quem tem fé
.
Saravá, seu Zé. Ê, Saravá seu Zé
Seu Zé. Ê, Saravá seu Zé
Saravá seu Zé Malandro
Salve a força da fé.




 NA FALANGE DOS MALANDROS, SEU ZÉ MALANDRO


Zé Malandro teve uma história bonita. Cada malandro tem seu valor e ele é conhecido com as seguintes denominações: Zé Malandro da Lapa, o Zé Malandro do Morro, Zé Malandro da Maloca. Eu recebo Seu Zé Malandro, é o meu paizão. A falange dependeu do Zé Pelintra. Se eles têm um nome, a falange, eles devem ao Zé Pelintra, que realmente existiu; alguns dizem que ele morreu de navalha, outros dizem que foi fuzilado na porta de um cabaré. Zé Pelintra é um mestre, ele fez muitas coisas boas, ele não era só malandro. As pessoas tem que passar a conhecer melhor a falange do Zé Pelintra, eles reinaram no pé do morro, na Lapa, em Santa Tereza, como diz aquele ponto:




O morro de Santa Tereza está de luto
Porque Zé Pelintra morreu…



Então, os malandros reinaram em cada local, por exemplo, a Praça Mauá:



Quando venho descendo o morro
Falei pra Tereza que eu vou trabalhar
Eu boto meu baralho no bolso
Cachecol no pescoço
E vou pra Barão de Mauá…



Fica um porto de frente para a Barão de Mauá. No caso, quando eles vieram de Pernambuco, fugidos, onde eles ficaram? Na Barão de Mauá, praça Mauá. Então, tem um fundamento ali. Cada ponto tem de identificar o fundamento desse mestre, porque ele foi criado naquele ciclo ali. Por exemplo, se ele passou pra linha de caboclo:




Lá no pé da juremeira

Zé Malandro assentado
Fazendo seu 
Catimbó
Dando conta do recado


Ele foi um catimbozeiro também, ele foi um feiticeiro. Esse ponto:


Lá na Aruanda tem um mestre na jurema
E na Umbanda Zé Malandro é morador
Se é doutor, se é feiticeiro,
Tenha certeza, Zé Malandro é curador.



Ele pode vir também na linha de preto velho. Em caso de necessidade, a falange pode arriar na linha de preto velho, em caso de necessidade. É por isso que ele vem. Ele vem na linha de exu, só que ele não é exu, mas ele vem. Ele é mestre, ele pode entrar em quatro linhas, como eu expliquei pra você no anterior, em cada linha ele age de um jeito. Na linha de caboco pode beber a cerveja branca, mas na linha de caboco ele bebe mais é vinho, ou como diz a língua de dele, “é o sangue de Cristo”. Então, no caso, na linha de preto velho ele vem fumar o cachimbo; não que na linha de caboco ele não possa fumar o cachimbo, ele pode, mas na linha de preto velho não pode faltar. Ele, como um mestre, já é doutrinado. A falange de malandro respeita muito os pretos velhos, os preto velho tem uma doutrina maior, uma rede. No caso, eles tem muito respeito pelos pretos velhos, com o povo da rua. Como diz o seu Zé Malandro, passando pra linha esquerda:




Tranca Rua e Zé Malandro são dois velhos companheiros
Tranca Rua na encruza e Zé Malandro no terreiro.


Cada linha, ele tem que cantar um ponto daquela linha que ele tá. Eu vou contar um, no caso, na linha de exu:




Olha ele aí, olha ele aí, olha ele aí, olha ele aí

Oi, teve uma Blitz no morro, a polícia vem aí
Oi, teve uma Blitz no morro, a polícia vem aí
Malandro que é malandro se escondeu lá na Figueira.


O que é a figueira? A figueira era lá onde eles faziam os rituais. A figueira era onde eram feitas as gamelas nas quais se faziam as obrigações, embaixo daquela figueira eles faziam rituais de exus. Então, no caso, a figueira tem um significado na linha de exu. Esse ponto da linha de exu ele encontra com a linha de caboco, ele tá numa linha e tem que contar o ponto daquela linha: se ele tá na mata, ele tem de cantar da mata; se ele tá na linha de preto velho, tem que cantar na linha. A falange é assim; não são exus como muitos acham, não, eles são mestres. Tem um ponto assim:

Saravá, Saravá, todo filho de umbanda

Pra salvar sua banda, Zé Malandro chegou
Ele vem de Aruanda, ele é mestre nagô
Saravá, minha gente, Zé Malandro chegou.

Assim como Zé Malandro, Zé Pelintra, Zé Pretinho, Zé Brilhantina, Buscapé (que é o mais novo da falange), Francisco Pelintra, no caso eles formam uma falange. Os outros pegaram fama devido ao Zé Pelintra; tem uma prece do Zé Pelintra:


Salve seu Zé Pelintra, salve os malandros, salve a malandragem…

O seu Zé Malandro fala assim, que ele é igual o bambu, ele enverga, mas não quebra, é gira, como ele fala. Tem umas estórias que eles falam, que o Zé Pelintra tava querendo alguma coisa com a Maria Bonita e o Zé Pelintra com o Zé Malandro, estavam querendo pegar o Lampião na covardia. Tem até um ponto que ele canta:

Mulher, mulher, não tenha medo do seu marido

Mulher, mulher, não tenha medo do seu marido
Se ele é bom na faca, eu no facão
Ele é bom na reza, eu na oração
Eu sou Zé Malandro, ele é Lampião.





Eles sempre foram inimigos o Lampião com o Zé Pelintra, porque o Zé Pelintra queria ficar com a mulher do Lampião. E ele queria armar pra pegar o Lampião, que era muito perseguido. A história de Lampião é muito bonita. No final é que muito triste, mas ele ficou com a Maria Bonita. Ele morreu, mas ela não ficou pra ninguém, ficou com ele. Foi um amor muito bonito esse do Lampião com a Maria Bonita, eles eram muito temidos. No caso a falange naquela época era muito bonita. A idade do seu Zé Malandro é de 1843 e a idade do Zé Pelintra é de 1852. José Gomes da Silva ou Zé Pelintra. No sertão de Pernambuco, uma cidade muito sagrada porque foi dali que saiu a falange quase toda dos malandros, e se juntou com os outros malandros que já tinham no rio de janeiro também.

Alguns fregueses, alguma festa que eu vou, às vezes alguém fala: “Mas Zé Malandro?! Nunca vi Zé Malandro. Já vi Zé Pelintra.” Eu digo: “Não, Zé Malandro.” Falta eles procurarem se informar mais. Eu nunca tinha mostrado pra vocês esses pontos deles. As pessoas falam: “Esse ponto deve ser copiado.” Não, ele existe, como eu te mostrei. Eles tem que respeitar a entidade como se deve respeitar; a mim não importa se a pessoa cultua esse ou aquele; eu quero ver é que a pessoa ta cultuando o seu caboclo, o seu preto velho, ta recebendo seus orixás. Isso é que importante dentro da Umbanda, do Candomblé, que você está cultuando. Conselho que eu dou: Não desista! Nessa vida, ninguém vive só de vitória. Como diz a prece de Oxalá:

Que a paz de Oxalá renove nossas esperanças

Depois de erros e acertos, tristeza e alegrias,
Derrotas e vitórias, chegarei aos pés de Zambi maior
Êpa babá Oxalá!

Desconheço o Autor.

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