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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Contos do Zé ;A História de Jose Emerenciano;




História Zé 

Pelintra

Jose Emerenciano nasceu em Pernambuco, filho de uma escrava forra com seu ex-dono, teve algumas oportunidades na vida.


Trabalhou em serviços de gabinete, mas não suportava a rotina.



Estudou, pouco, pois não tinha paciência para isso.

Gostava mesmo era de farra, bebida e mulheres, não uma ou duas, mas muitas. 

Houve uma época em que estava tão encrencado em sua cidade natal que teve que fugir e tentar novos ares.

Foi assim que Emerenciano surgiu na Cidade Maravilhosa.

Sempre fiel aos seus princípios, está claro que o lugar escolhido havia de ser a Lapa, reduto dos marginais e mulheres de vida fácil na época.

Em pouco tempo passou a viver do dinheiro arrecadado por suas "meninas", que apaixonadas pela bela estampa do negro, dividiam o pouco que ganhavam com o suor de seus corpos.

Não foram poucas as vezes que Emerenciano teve que enfrentar marginais em defesa daquelas que lhe davam o pão de cada dia.

E que defesa!

Era impiedoso com quem ousasse atravessar seu caminho.

Carregava sempre consigo um punhal de cabo de osso, que dizia ser seu amuleto, e com ele rasgara muita carne de bandido atrevido, como gostava de dizer entre gargalhadas, quando nas mesas dos botecos de sua preferência.


Bebia muito, adorava o álcool, desde a cachaça mais humilde até o Whisky mais requintado.

E em diversas ocasiões suas meninas o arrastaram praticamente inconsciente para o quarto de uma delas.

Contudo, era feliz, ou dizia que era, o que dá quase no mesmo.


Até que conheceu Amparo, mulher do sargento Savério.

Era a visão mais linda que tivera em sua existência.


A bela loura de olhos claros, deixava-o em êxtase apenas por passar em sua frente.

Resolveu mudar de vida e partiu para a conquista da deusa loura, como costumava chama-la.

Parou de beber, em demasia, claro!

Não era homem também de ser afrouxado por ninguém, e uns golezinhos aqui e ali não faziam mal a ninguém.

Dispensou duas de suas meninas, precisava ficar com pelo menos uma, o dinheiro tinha que entrar, não é?

Julgava-se então o homem perfeito para a bela Amparo.



Começou então a cercar a mulher, que jamais lhe lançara um olhar.

Aos amigos dizia que ambos estavam apaixonados e já tinha tudo preparado para levá-la para Pernambuco, onde viveriam de amor.

Aos poucos a história foi correndo, apostas se fizeram, uns garantiam que Emerenciano, porreta como era, ia conseguir seu intento.

Outros duvidavam Amparo nunca demonstrara nenhuma intimidade por menor que fosse que justificasse a fanfarronice do homem.

O pior tinha que acontecer, cedo ou tarde.

O Sargento foi informado pela mulher da insistente pressão a que estava submetida.


Disposto a defender a honra da esposa marcou um encontro com o rival.


Emerenciano ria, enquanto dizia aos amigos:

- É claro que vou, ele quer me dar a mulher? Eu aceito! Vou aqui com meu amigo...

- E mostrava seu punhal para quem quisesse ver.

Na noite marcada vestiu-se com seu melhor terno e dirigiu-se ao botequim onde aconteceria a conversa.

Pediu uísque, não era noite para cachaça, e começou a bebericar mansamente.

Confiava em seu taco e muito mais em seu punhal.

Se fosse briga o que ele queria, ia ter.

Ao esvaziar o copo ouviu um grito atrás de si:

- Safado!

- Levantou-se rapidamente e virou-se para o chamado.

O tiro foi certeiro.



O rosto de Emerenciano foi destroçado e seu corpo caiu num baque surdo.

Recebido no astral por espíritos em missão evolutiva, logo se mostrou arrependido de seus atos e tomou seu lugar junto a falange de Zé Pelintra.

Com a história tão parecida com a do mestre em questão, outra linha não lhe seria adequada.

Hoje, trabalhador nos terreiros na qualidade de Zé Pelintra do Cabo, diverte e orienta com firmeza a quem o procura.

Não perdeu, porém a picardia dos tempos de José Emerenciano.

Sarava Seu Zé Pelintra!








Desconheço o Autor.

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