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Rádio da Malandragem - Blog Malandros e Malandras;

sábado, 18 de dezembro de 2010

Contos do Zé e Pontos Cantados de Malandros na Religião Umbanda;


A figura de Zé Pelintra está associada a um grande leque de religiões 
de possessão no Brasil. Provavelmente, originário do Catimbó 
(Cascudo, 1978), esse arquétipo popularizou-se nos ritos de Jurema, Umbanda e Candomblés de Caboclos. Muitas estórias  são 
contadas sobre a vida terrena desse personagem. Assunção recolheu 
uma dessas versões em que ele é apresentado como beberrão e 
desobediente. Ao morrer, teria ido viver na jurema, local mítico, onde 
ele, que “só se salvou de um lado” viria ajudar aos homens no mundo 
terreno (apud Prandi, 2001, p.202). 

Outra versão conta que  

José dos Santos, nascido no interior de Pernambuco, era um 
negro forte e ágil, grande jogador e bebedor, mulherengo e 
brigão. Manejava uma faca como ninguém, e enfrentá-lo 
numa briga era o mesmo que assinar o atestado de óbito. Os 
policiais já sabiam do perigo que ele representava. [...] Não 
era mal de coração, muito pelo contrário, era bondoso, 
principalmente com as mulheres, as quais tratava como 
rainhas. Sua vida era à noite. Sua alegria, as cartas, os dadinhos, a bebida, a farra, as  mulheres e porque não, as brigas. Jogava para ganhar, mas não gostava de enganar os 
incautos [...]. Mas ao contrário, aos falsos espertos, os que 
se achavam mais capazes no manuseio das cartas e dos 
dados, a estes enganava o quanto podia e os considerava os 
verdadeiros otários. Incentivava-os ao jogo, perdendo de 
propósito quando as apostas ainda eram baixas e os 
limpando completamente ao final das partidas. Isso bebendo 
aguardente, cerveja, vermouth, e outros alcoólicos que 
aparecessem.”

Na umbanda do Rio de Janeiro o Seu Zé Pelintra é 
associado à figura do malandro carioca. Veste terno branco, camisa 
de  seda, chapéu panamá e gravata vermelha. Os 
trejeitos se remetem a esse arquétipo da boemia carioca. O falar 
carregado de gíria, o andar escorregadio, a aversão ao trabalho, a 
propensão às falcatruas e a paixão pelas mulheres, apresentados nas 
versões acima, representam alguns dos elementos da composição 
desse personagem. O caráter de Hobin Hood, tirando dos desonestos, 
também aparece nesse arquétipo, já que ele só roubava dos  falsos 
incautos. Um outro ponto cantado nos terreiros, reforça as 
características apresentadas: 

É de manhã quando ele desce a ladeira 
A nega pensa que ele vai trabalhar. 
Ele põe seu baralho no bolso, 
Cachecol no pescoço. E vai pra Praça Mauá! 
Trabalhar, trabalhar pra quê?  
Se ele trabalhar ele vai morrer. 
Se a polícia lhe prender,  
Delegado lhe soltar 
Deixa de prender malandro, 
Pra prender trabalhador 
Você diz que é malandro 
Malandro você não é, 
Malandro anda bem vestido 
Você anda como quer. 

Ele também possui o seu correspondente feminino. Como as baianas, 
o primeiro nome mais comum que encontrei em pesquisas de campo 
foi o de Maria, associado a um segundo, esse mais variado. Um 
exemplo disso é Maria Navalha. São mais femininas que as baianas e 
se aproximam, ainda mais, do  arquétipo feminino do exu. 
Normalmente, vestem-se de vermelho, gostam de flores nos cabelos 
e nas roupas, demonstram muita feminilidade e uma certa forma de 
expressar-se,  que nos valores da sociedade ocidental cristã são tidos 
como vulgares. 





Pontos Cantados do Seu Zé e da Malandragem :

SEU ZÉ 
ELE É MESTRE NA ARUANDA
SARAVÁ A SUA BANDA 
VEM CHEGANDO DEVAGAR 


QUANDO ELE CHEGA 

CHEGA SEMPRE SORRIDENTE
COM CIGARRO ENTRE OS DENTES
DE BRANCO PARA AMENIZAR



O DESAMOR QUE EXISTE NESSA TERRA

SABE NOS LIVRAR DA GUERRA
E SEM MAIS QUER NOS LEVAR 



NÃO HÁ DEMANDA QUE POSSA LHE DERRUBAR
ELE É CABEÇA FEITA TEM UM NOME A ZELAR

MAS DESAFORO NÃO ACEITA NUNCA SE DEIXA LEVAR



ELE SEMPRE AJUDA QUEM NELE TEM FÉ

SARAVÁ SEU ZÉ
É NA PALMA DA MÃO E CANTANDO COM FÉ
SARAVA SEU ZÉ





SEU ZÉ QUANDO VEM DE ALAGOAS 

TOMA CUIDADO COM O BALANÇO DA CANOA
SEU ZÉ FAÇA TUDO O QUE QUISER O ZÉ 
SÓ NÃO MALTRATE O CORAÇÃO
DESSA MULHER.

DIM, DIM, DIM, DIM RISCA O PONTO
PULANDO CRUZADO
AQUI NO TERREIRO CHEGOU
OGUM DA BAHIA
DE KETO
DE ANGOLA
E NAGO
GHEGOU ZÉ PILINTRA
QUE VEIO DO LADO DE LÁ
FUMANDO E BEBENDO CANTANDO VAMOS


SARAVA
SARAVA OH OH
SARAVA
SARAVA OH OH NO CONGÁ 

SEU ZÉ
FECHE AS PORTEIRAS
CANCELAS E TRONQUEIRAS
NÃO DEIXE O MAL ENTRAR
O GALO JÁ CANTOU NA ARUANDA
PÕE FOGO NA FUNDANGA
QUERO VER QUEIMAR .

CHORA, CHORA
A COMUNIDADE CHORA
QUANDO OS MALANDROS VÃO EMBORA
CHORA, CHORA.

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