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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Contos do Zé ;A História de Jose Emerenciano;




História Zé 

Pelintra

Jose Emerenciano nasceu em Pernambuco, filho de uma escrava forra com seu ex-dono, teve algumas oportunidades na vida.


Trabalhou em serviços de gabinete, mas não suportava a rotina.



Estudou, pouco, pois não tinha paciência para isso.

Gostava mesmo era de farra, bebida e mulheres, não uma ou duas, mas muitas. 

Houve uma época em que estava tão encrencado em sua cidade natal que teve que fugir e tentar novos ares.

Foi assim que Emerenciano surgiu na Cidade Maravilhosa.

Sempre fiel aos seus princípios, está claro que o lugar escolhido havia de ser a Lapa, reduto dos marginais e mulheres de vida fácil na época.

Em pouco tempo passou a viver do dinheiro arrecadado por suas "meninas", que apaixonadas pela bela estampa do negro, dividiam o pouco que ganhavam com o suor de seus corpos.

Não foram poucas as vezes que Emerenciano teve que enfrentar marginais em defesa daquelas que lhe davam o pão de cada dia.

E que defesa!

Era impiedoso com quem ousasse atravessar seu caminho.

Carregava sempre consigo um punhal de cabo de osso, que dizia ser seu amuleto, e com ele rasgara muita carne de bandido atrevido, como gostava de dizer entre gargalhadas, quando nas mesas dos botecos de sua preferência.


Bebia muito, adorava o álcool, desde a cachaça mais humilde até o Whisky mais requintado.

E em diversas ocasiões suas meninas o arrastaram praticamente inconsciente para o quarto de uma delas.

Contudo, era feliz, ou dizia que era, o que dá quase no mesmo.


Até que conheceu Amparo, mulher do sargento Savério.

Era a visão mais linda que tivera em sua existência.


A bela loura de olhos claros, deixava-o em êxtase apenas por passar em sua frente.

Resolveu mudar de vida e partiu para a conquista da deusa loura, como costumava chama-la.

Parou de beber, em demasia, claro!

Não era homem também de ser afrouxado por ninguém, e uns golezinhos aqui e ali não faziam mal a ninguém.

Dispensou duas de suas meninas, precisava ficar com pelo menos uma, o dinheiro tinha que entrar, não é?

Julgava-se então o homem perfeito para a bela Amparo.



Começou então a cercar a mulher, que jamais lhe lançara um olhar.

Aos amigos dizia que ambos estavam apaixonados e já tinha tudo preparado para levá-la para Pernambuco, onde viveriam de amor.

Aos poucos a história foi correndo, apostas se fizeram, uns garantiam que Emerenciano, porreta como era, ia conseguir seu intento.

Outros duvidavam Amparo nunca demonstrara nenhuma intimidade por menor que fosse que justificasse a fanfarronice do homem.

O pior tinha que acontecer, cedo ou tarde.

O Sargento foi informado pela mulher da insistente pressão a que estava submetida.


Disposto a defender a honra da esposa marcou um encontro com o rival.


Emerenciano ria, enquanto dizia aos amigos:

- É claro que vou, ele quer me dar a mulher? Eu aceito! Vou aqui com meu amigo...

- E mostrava seu punhal para quem quisesse ver.

Na noite marcada vestiu-se com seu melhor terno e dirigiu-se ao botequim onde aconteceria a conversa.

Pediu uísque, não era noite para cachaça, e começou a bebericar mansamente.

Confiava em seu taco e muito mais em seu punhal.

Se fosse briga o que ele queria, ia ter.

Ao esvaziar o copo ouviu um grito atrás de si:

- Safado!

- Levantou-se rapidamente e virou-se para o chamado.

O tiro foi certeiro.



O rosto de Emerenciano foi destroçado e seu corpo caiu num baque surdo.

Recebido no astral por espíritos em missão evolutiva, logo se mostrou arrependido de seus atos e tomou seu lugar junto a falange de Zé Pelintra.

Com a história tão parecida com a do mestre em questão, outra linha não lhe seria adequada.

Hoje, trabalhador nos terreiros na qualidade de Zé Pelintra do Cabo, diverte e orienta com firmeza a quem o procura.

Não perdeu, porém a picardia dos tempos de José Emerenciano.

Sarava Seu Zé Pelintra!








Desconheço o Autor.

Malandros na Umbanda;




 A Umbanda, religião brasileira, é uma mistura de vários outros cultos como o catolicismo, espiritismo, o culto aos Orixás e às religiões ameríndias, além do catimbó. Contudo, há de ressaltar que suas bases estão solidificadas no Evangelho de Jesus. Portanto, seus objetivos estão voltado para a caridade material e espiritual. Trabalha com Espíritos em diferentes faixas vibratórias e tem seus fundamentos em Mantras cantados e riscados.


Um ponto de discordância para muitos, é a enigmática figura de Zé Pelintra, que iremos analisar criteriosamente. Em muitos terreiros de Umbanda, ele é impedido de trabalhar, sobretudo nos esotéricos, que o chamam de espírito atrasado. O mesmo, dizem alguns em relação à Maria Padilha, aos Boiadeiros e Marinheiros. Tudo isso é fruto de ignorância daqueles que não os respeitam e não os conhecem, pois devemos lembrar que nossa religião é um entrada aberta para todos os que nela queiram praticar a caridade. Nõ nos cabe julgar ninguém, já que temos uma enorme trave em nossos olhos. O respeito ao ser humano, reencarnado ou desencarnado, é a base fundamental para o nosso progresso como espíritos em aprendizado constante.

O Zé que conhecemos, foi introduzido na Umbanda a partir do catimbó, culto praticado no Nordeste brasileiro, que se apóia bastante na religião católica, apesar de guardar um pouco das praticas pagãs, vindas da bruxaria européia. Ela pode se parecer um pouco com a Umbanda, mas, tem um pouco com o Candomblé. A semelhança com a Umbanda é devido ao trabalho com entidades

incorporadas. Entretanto, os Mestres do Catimbó possuem uma teatralidade de incorporação muito típica e discreta que está longe do "trabalho de palco" umbandista. Neste cenário, Zé Pelintra é um dos mestres desse culto. Poucos sabem, mas o mesmo teve vida na Terra. Nascido em Pernambuco, José Gomes da Silva, como era chamado, ainda jovem foi viver no Rio de Janeiro, onde frequentava a boemia do central bairro da Lapa.

Fez amigos entre a malandragem e bandidagem da época, sendo querido por todos. Perito em jogos de azar (baralho e dados) ganhava de todos os que ousassem desafiá-lo. Exímio no manejo de armas brancas, sempre estava pronto a defender os injustiçados, coisa que ainda faz, hoje em dia, só espiritualmente.

Assim, Zé Pelintra formou uma bela falange de malandros de luz, que vem ajudar aqueles que necessitam. Eles são as entidades amigas e de muito respeito, sendo assim, não aceitamos que pessoas que não respeitam a religião digam que estão incorporadas com seu Zé ou qualquer outro malandro, e façam uso de maconha ou tóxicos. As entidades usam cigarros e charutos, pois a fumaça funciona como defumador astral e não visa. Entre os membros de sua falange, há: Seu Chico Pelintra, Cibamba, Zé da Virada, Zé Camisa Preta, Zé Mineiro, Zé Camisa Vermelha, Zé Camisa Listrada, Malandrinho,

Os malandros vêm na Linha de Exú, mas não são Exús! Aderiram à Linha das Almas da Umbanda. São Guias luzeiros

que são frequentemente encontrados em giras de Exú devido à afinidade com o sub-mundo e também por não haver comumente nos terreiros uma gira a eles dedicado. Zé Pelintra é considerado o "advogado dos pobres" Possui conhecimentos para curas de males físicos e espirituais. Devido a sua extrema simpatia é adorado quando baixa nos terreiros, canalizando para sí a atenção de todos.

Tornou-se chefe da Linha dos Malandros, que compreende espíritos que tiveram vida nos morros cariocas, na boemia da Lapa, nos subúrbios cariocas, baianos e recifenses. Trata-se de um coringa, tanto incorporando na direita como na esquerda. Isto é, Seu Zé pode baixar em qualquer gira, tanto de Exú, como de Preto Velho, Mineiro, Baiano, boiadeiro, marinheiro e caboclo.

Há casos de trançamento, ou cruzamento com esses também, como por exemplo, Zé Baiano, Zé Boiadeiro, entre outros.

São entidades de Luz, carismáticas, e chegam nos terreiros de Umbanda, com seu samba ou capoeira no pé, seu cigarro na boca, chapéu de panamá de lado, com toda a ginga de um malandro. Ao contrário dos Exús que estão nas encruzilhadas, encontramos os malandros em bares, subidas de morros, festas, esquinas e muito mais. Suas cores são vermelho e branco, ou branco e preto. Pra oferendas são recomendados camarões, carne seca com farofa, e outros petiscos servidos em bares. A bebida é a cerveja branca bem gelada. Salve a malandragem! Saravá Seu Zé Pelintra!




Autor :André Luiz P. Nunes
Fonte :http://www.geocities.ws/jornalesotera/malandros.htm

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Salvos pelo Zé Pelintra;





    
 

(Jornal Meia Hora - RJ)

Seu Zé ,Um Amigo Leal !



Grande amigo de quem lhe é leal, gosta de sua cerveja Brahma,de seu cigarro Hollywood,charutos,dewisky,coquinhoda praia.Mulherengo,birrento,forte,bom de briga,vive nos cabarés da vida.Gosta de presentes caros,maior malandro do mundo da à volta em qualquer um,não gosta de tirar vantagem dos humildes mais àqueles que se julgam espertos estes sim ele e capaz de tirar até as cuecas,dono de uma personalidade fortíssima ele é nada mais nada menos que “Zé Pelintra” o dono da noite,se faz de desentendido pra atacar lá na frente,fala errado para que as pessoas pensem que ele é otário,mais quem acha isso ta muito enganado.


Está sempre disposto a ajudar quem lhe pede ajuda,junto com seus amigos desfaz qualquer demanda mais nunca tente enganá-los,pois se tentar verá sua vida se tornar uma verdadeira bagunça,nunca prometa nada a uma entidade que não vá cumprir também nunca os traia,pois a amizade é uma das coisas que mais tem valor para eles e a traição e a pior coisa que alguém pode fazer.

SALVE ZÉ PELINTRA!

Desconheço o Autor.

Seu Zé Pelintra em Histórias em Quadrinhos;

Uma história em quadrinhos bemmm Brazuca, quer ver?
Mais uma boa para quem gosta de quadrinhos: Zeladores.


Trata-se de uma história bem brazuca, de um malandro do “além” com amplas doses de humor e violência.
Um dos protagonistas da história é o folclore brasileiro -numa releitura pop- comandado pelo malandro maior, Zé Pelintra.
O outro chefe de cena é a própria cidade, a megalópole caótica que hoje conhecemos como São Paulo, e que fornece o clima “aqui vale tudo”.


A idéia nasceu na cabeça de Anderson. Com ela e 4 páginas escritas e desenhadas ele acreditou em seu projeto e ganhou um Edital do PROAC (fique atento a eles, pois viabilizam diversos projetos, o próximo poderá ser o seu!).
Então veio o convite para o parceiro criativo Nathan, que descreve o processo em entrevista exclusiva aquí para o blog da ABRA PINHEIROS, vamos conferir?
Olá todos os leitores do Blog da ABRA PINHEIROS, venho aqui hoje apresentar nosso trabalho e falar um pouquinho do processo creitivo dele. Resumindo em poucas palavras, depois de criar e derrubar uns 10 universos, a gente acabou fazendo essa história junto.
Trabalhar a quatro mãos foi fácil pois somos amigos há quase 10 anos, desde que moramos juntos na Mooca e acho que isso transparece nas histórias (a amizade e a Mooca, rs).
Zeladores nasce do nosso prazer compartilhado por misturar o clássico e o pop, que tantas vezes são separados à toa. E também de nosso ódio (compartilhado) pelos super heróis fantasiados. Afinal a Cuca é, literalmente, bem mais assustadora que o Magneto.
Queriamos, também, explorar personagens muito legais do folclore que estavam sendo desaproveitados e contar histórias estilosas com eles que sempre apareceram de jeito marginal.
O toque final foi o fato de os dois gostarmos tanto dessa cidade.
Eu posso imaginar um Lobisomem aparecendo em qualquer lugar do mundo. Hoje em dia um Lobisomem é quase que “normal”. Mas o Zé Pilintra e o Kurt Cobain juntos? Só em São Paulo mesmo, e num bar, é claro.

O projeto nasceu em papel (publicado pela Ed. Devir) mas acabou virando uma história muito maior, disponível online e de graça (www.zeladores.net) com 24 páginas já disponíveis e mais 8 serão inseridas a cada mês, até o final de história.
Para quem não quiser esperar (ou adora mesmo ler o seu quadrinho em papel) a primeira história completa (62 pág.) foi impressa pela Ed. Devir e está à venda em lojas especializadas.
Passem pelo site, conheçam o mundo de ZELADORES!


Sobre os autores:

ANDERSON ALMEIDA

Criador e ilustrador formado na Escola Técnica Estadual Carlos de Campos. Seus clientes vão desde produtoras de cinema, como a Moonshot Pictures e a Glaz Entretainement, onde desenvolve concepts, personagens e argumentos para conteúdo original, editoras como Abril e Rockmountain, para as quais desenvolve roteiros de histórias em quadrinhos, ilustrações para revistas como Recreio, SuperInteressante e GO Outside e agências de publicidade como Lowe e Giovanni+Draft.

NATHAN CORNES

Criador nômade, formado entre a Espanha e Alemanha, desenvolve jogos e escreve roteiros para animação desde o final do século XX, como o seriado Cálico Eletrónico, que foi um dos maiores sucessos da web em espanhol. No Brasil desde 2001, já trabalhou como redator publicitário e criando ARGs para o Guaraná e aEd. Abril.


Contos do Malandro;




O malandro chega de mansinho. Passos curtos, silenciosos, pés descalços. Entra meio como quem não quer nada, como se só estivesse ali de passagem. Ninguém dá muita atenção para sua presença. Ele fica ali, parado, com um simbólico sorriso no rosto, esperando.
E daí você nota a presença dele. Percebe o sorriso maroto e o semblante divertido. Depois de uns dias nota que está procurando aquele sorriso na multidão. E toda vez que o encontra, seu coração acelera. Suas mãos tremem e você se sente aliviada e nervosa, feliz e ansiosa. Apreensiva.
Devagar ele dá um sorriso de canto de boca. Os olhos misteriosos e profundos instigam você a se aproximar. E lá vai você. Desarmada, com o coração a mil. Pensando o que aquele sorriso infantil e sonhador esconde do mundo.
As palavras proferidas a fazem rir. Palavras pensadas com esmero para que você tenha um tempo agradável ao lado do malandro. Ele sabe como fazer isso. Ele sabe o que dizer.
Vocês voltam a se encontrar. Gostam das mesmas bandas, dos mesmos bares, dos mesmos restaurantes. Leram os mesmos livros e gostam do café com um pouco de leite. Nada exagerado. O leite deve ser na medida certa.
Foram aos mesmos shows e deliraram nas mesmas músicas. Gostam de Guinness e acham o chop Black da Brahma adocicado e ruim.
Os filmes favoritos são os mesmo. Só a posição no ranking é que muda. Mas ele ainda acha que você superestima A Cor Púrpura.
E então você percebe que sua vida está entrelaçada à dele. Você percebe que o amor que passou a sentir parece até palpável. Você quase consegue segurá-lo e guardá-lo numa caixinha. E você passa a prezar isso com todo o seu ser. E pensa em coisas que nunca havia imaginado. Pensa em casar. Pensa em filhos. Pensa no vestido de noiva. Pensa na aposentadoria.
Mas você não vê o que o malandro faz com você. Você não percebe que na verdade está triste, descuidada e longe de se dizer feliz. O malandro fez com que você viva só para ele. E mais ninguém. Nem você.
Porém, um dia, a coisa se torna tão insustentável que você junta suas coisas e vai embora. Diz: eu não te amo mais. Vira as costas e vai embora.
Anos depois, você sente vontade de vê-lo. De falar com ele, nada de mais. Hoje tudo passou. As dores, as lágrimas. Hoje, você só quer ser amiga. Mas o malandro te engana de novo. Faz você pensar que ele precisa de você e você precisa dele. Faz cara de cachorro pidão, diz que sua vida não é a mesma sem você.
Quando você chega em casa, começa a pensar. E acha que não é feliz com ele, mas também não é feliz sem ele. Você passa a acreditar que nunca mais vai amar ninguém como o amou e que sua vida acabou ali.
De mansinho, o malandro chegou e se instalou. Passos curtos e silenciosos, com os pés descalços. Entrou meio como quem não quer nada, mas ali se instalou e ali ficou. Agora todos notam a sua presença. Através do olhar vazio e desesperançado que você olha o mundo.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Malandro Baiano ;



Malandro Baiano e o Linguajar Baianês

Certa feita, saí cedinho de casa pra um falapau na casa de meu primo  carnal, Muriçoca, lá no fim de linha do Pau Miúdo.
Tava o maior auê no  ponto de ônibus. Gente como a porra, uma renca de menino oferecendo  geladinho, um esmolé, cheio do pau, abusando todo mundo, vendedor de  rolete gritando feito a porra e os garotos vendendo menorzinho no quente-frio colorido.
De junto de mim, um cabo verde todo infatiotado  passava a patapata na cabeça, enquanto defronte a filha da baiana do acarajé, uma menina cheia de pano branco, mastigava um cacetinho.
Eu  já tava ficando retado, porque já fazia uma hora de relógio que a  zorra do buzu não passava. Aí a arabaca chegou, cheia como quê.
Tive que entrar a pulso, mas pra tomar uma, eu faço qualquer coisa, e na  paleta é que eu não ia. Apurrinhado, fui me espremendo lá pra frente e consegui passar pela borboleta.
Num daqueles freios de arrumação,  fiquei de pau grande, fazendo terra numa graxeira bem muderninha, toda empiriquitada, mais enfeitada que jegue na Lavagem do Bonfim.
Ela tinha uma inhaca, que misturada com o espanta nigrinha que usava, me causava um certo entojo. Mas eu, que faço terra desde o tempo de dom corno, não ia vacilar. "É hoje que eu vou lavar a jega," pensei. E  fiquei ali, mal sabendo o esparro em que eu ia cair. É que daí a pouco o motorista deu outro freio de arrumação e eu me desapartei da tribufuzinha e me encaixei num negão tipo segurança do Olodum. Tá  rebocado, eu pensei que ia bater a caçuleta.
O negão virou e fez: - Qualé meu irmão? Tá procurando frete comigo, é? Eu lhe dei ozadia por acaso?
Resultado: levei um cachação que doeu como corno, e fui parar  lá na casa da porra. Foi o maior mangue dentro do buzu. Enquanto eu me lenhava, ouvia o povo dizer: - Pique a porra nesse chibungo, ôôôôxe,  tem mais é que estabocar com este sacana mesmo!!!... No meio daquela zuada toda, resolvi tirar o corpo e na primeira sinaleira que o buzu  parou eu me piquei. Jurei que mais nunca entro em carro com enxame de gente.
Quanto às fubuias, tive que infonar, mas de hoje a oito possa ser que eu passe lá. Só que na próxima vez vou pedir a um taquiceiro  pra me levar, que eu não sou menino nem oreba, pra ximbar de novo. Se não entendeu nada do que leu, das duas uma: ou não é baiano, ou  precisa conhecer a Bahia!
Autor :Nivaldo Lariú -Diconário de Baianês

Contos do Zé Pelintra e a Diferença entre Zé Pelintra na Umbanda e no Catimbó;


 Zé Pelintra (também Zé Pelintra) é um espírito das religiões afro-brasileiras e regionais da umbanda e do Catimbó (ou catimba).
 Bastante considerado, especialmente entre os umbandistas, como o espírito patrono dos bares, locais de jogo e sarjetas (embora não alinhado com entidades de cunho negativo), é uma espécie de transcrição arquetípica do "malandro". No seu modo de vestir, bastante típico, Zé Pelintra é representado trajando terno completo na cor branca, gravata vermelha  chapéu panamá de fita vermelha ou preta.
Apesar de ter importância religiosa tanto para os praticantes de catimbó quanto de umbanda, Zé Pelintra é entidade originária desta última.absorção da entidade de uma religião por outra se processou quando os grandes centros urbanos do sudeste do Brasil passaram a englobar antigas áreas rurais e estimular a migração de trabalhadores de outras partes do país, em seu processo de desenvolvimento. Na medida em que isso foi acontecendo, os sacerdotes do catimbó passaram a considerar Zé Pelintra como uma entidade pertencente, também, ao seu próprio culto.
Zé Pelintra é invocado quando seus seguidores precisam de ajuda com questões domésticas, de negócios ou financeiras e é reputado como um obreiro da caridade e da feitura de coisas boas.



Diferença entre Zé Pelintra na umbanda e no Catimbó
A umbanda é um culto legitimamente Brasileiro com seus próprios rituais e estrutura, enquanto que o Catimbó é uma forma regional de sincretismo entre elementos tanto afro-brasileiros, europeus e indígenas.
Na umbanda Zé Pelintra é um Guia incorporado na linha do Povo da Malandragem, mas em certos casos pode vir na linha de Exú, enquanto que no Catimbó ele é visto como um espírito errante, espírito desencarnado, líder de uma "falange" de "malandros". Zé Pelintra é acreditado como pertencente à linha das almas, seres humanos desencarnados cuja missão é auxiliar no benefício da Humanidade como forma de expiação de uma vida anterior de extrema dissipação material.
Distribuição de seguidores e fama
Majoritariamente os seguidores de Zé Pelintra concentram-se nos ambientes urbanos de Rio de Janeiro e São Paulo, mas eles também podem ser encontrados no Nordeste do Brasil, entre os "catimbozeiros", e nas áreas rurais de praticamente todo o país.
Zé Pelintra, tanto na umbanda quanto no catimbó, é tido como protetor dos pobres e uma entidade de importância entre as classes menos favorecidas em geral, tendo ganhado o apelido de "Advogado dos Pobres", pela patronagem espiritual e material que exerce.
Apesar de ter importância religiosa tanto para os praticantes de catimbó quanto de umbanda, Zé Pelintra é entidade originária desta última.absorção da entidade de uma religião por outra se processou quando os grandes centros urbanos do sudeste do Brasil passaram a englobar antigas áreas rurais e estimular a migração de trabalhadores de outras partes do país, em seu processo de desenvolvimento. Na medida em que isso foi acontecendo, os sacerdotes do catimbó passaram a considerar Zé Pelintra como uma entidade pertencente, também, ao seu próprio culto.
Zé Pelintra é invocado quando seus seguidores precisam de ajuda com questões domésticas, de negócios ou financeiras e é reputado como um obreiro da caridade e da feitura de coisas boas.


Malandra da Rosas Vermelhas dos Arcos da Lapa ;



Alegria, magia, força, determinação e luz: estas são as características mais marcantes de uma legião de espíritos que trabalha com a denominação de "Malandros" e "Malandras".



A Malandra da Rosas Vermelhas dos Arcos da Lapa é uma dessas entidades.




Com ironia e sagacidade, realiza seus trabalhos de magia e orientação espiritual trazendo-nos o encanto pela vida.

Salve toda a malandragem!



Salve Dona Rosa Vermelha!

Salve a magia da noite e das estrelas!

Salve a força sagrada da Umbanda e de toda a espiritualidade!

Autoria de uma Médium que tem a Malandra e disponibilizou no antigo Orkut.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Zé Malandro.II


José dos Anjos da Silva. Nascido em 19 de março de 1843, desembarcou no Rio de Janeiro, na Praça Mauá. Ajuda a todos que o procuram, sem olhar a quem, tanto o homem Adriano Figueiredo quanto o Senhor Zé Malandro, não diferenciam as pessoas que os procuram, ajuda a todos com perseverança.


Samba de Zé Malandro:
Oi, leva fé, leva fé nesse homem
Que esse homem é de ajudar
Você pode gritar por seu nome

Toda vez que precisar
.
Oi, salve a sua batucada
Sob a luz da lua
Numa linda madrugada
Nas esquinas, pelas ruas
.
E no seu samba tem muita cerveja
E muita mulher
Mas também tem caridade
Que ele presta a quem quiser
.
Pois é. é, pois é
Bate palma no samba do seu Zé
Canta forte minha gente
Que esse samba é de fé
.
Se no seu caminhar, se no seu caminhar
Encontrar algum perigo
Chama seu Zé, que ele passa contigo
Ele tem muita força, ele tem muito axé
.
Ele vem na Umbanda,
Gingando, cantando, sambando no pé
Todo de branco, vem malandreando
Só ajudando a quem tem fé
.
Saravá, seu Zé. Ê, Saravá seu Zé
Seu Zé. Ê, Saravá seu Zé
Saravá seu Zé Malandro
Salve a força da fé.




 NA FALANGE DOS MALANDROS, SEU ZÉ MALANDRO


Zé Malandro teve uma história bonita. Cada malandro tem seu valor e ele é conhecido com as seguintes denominações: Zé Malandro da Lapa, o Zé Malandro do Morro, Zé Malandro da Maloca. Eu recebo Seu Zé Malandro, é o meu paizão. A falange dependeu do Zé Pelintra. Se eles têm um nome, a falange, eles devem ao Zé Pelintra, que realmente existiu; alguns dizem que ele morreu de navalha, outros dizem que foi fuzilado na porta de um cabaré. Zé Pelintra é um mestre, ele fez muitas coisas boas, ele não era só malandro. As pessoas tem que passar a conhecer melhor a falange do Zé Pelintra, eles reinaram no pé do morro, na Lapa, em Santa Tereza, como diz aquele ponto:




O morro de Santa Tereza está de luto
Porque Zé Pelintra morreu…



Então, os malandros reinaram em cada local, por exemplo, a Praça Mauá:



Quando venho descendo o morro
Falei pra Tereza que eu vou trabalhar
Eu boto meu baralho no bolso
Cachecol no pescoço
E vou pra Barão de Mauá…



Fica um porto de frente para a Barão de Mauá. No caso, quando eles vieram de Pernambuco, fugidos, onde eles ficaram? Na Barão de Mauá, praça Mauá. Então, tem um fundamento ali. Cada ponto tem de identificar o fundamento desse mestre, porque ele foi criado naquele ciclo ali. Por exemplo, se ele passou pra linha de caboclo:




Lá no pé da juremeira

Zé Malandro assentado
Fazendo seu 
Catimbó
Dando conta do recado


Ele foi um catimbozeiro também, ele foi um feiticeiro. Esse ponto:


Lá na Aruanda tem um mestre na jurema
E na Umbanda Zé Malandro é morador
Se é doutor, se é feiticeiro,
Tenha certeza, Zé Malandro é curador.



Ele pode vir também na linha de preto velho. Em caso de necessidade, a falange pode arriar na linha de preto velho, em caso de necessidade. É por isso que ele vem. Ele vem na linha de exu, só que ele não é exu, mas ele vem. Ele é mestre, ele pode entrar em quatro linhas, como eu expliquei pra você no anterior, em cada linha ele age de um jeito. Na linha de caboco pode beber a cerveja branca, mas na linha de caboco ele bebe mais é vinho, ou como diz a língua de dele, “é o sangue de Cristo”. Então, no caso, na linha de preto velho ele vem fumar o cachimbo; não que na linha de caboco ele não possa fumar o cachimbo, ele pode, mas na linha de preto velho não pode faltar. Ele, como um mestre, já é doutrinado. A falange de malandro respeita muito os pretos velhos, os preto velho tem uma doutrina maior, uma rede. No caso, eles tem muito respeito pelos pretos velhos, com o povo da rua. Como diz o seu Zé Malandro, passando pra linha esquerda:




Tranca Rua e Zé Malandro são dois velhos companheiros
Tranca Rua na encruza e Zé Malandro no terreiro.


Cada linha, ele tem que cantar um ponto daquela linha que ele tá. Eu vou contar um, no caso, na linha de exu:




Olha ele aí, olha ele aí, olha ele aí, olha ele aí

Oi, teve uma Blitz no morro, a polícia vem aí
Oi, teve uma Blitz no morro, a polícia vem aí
Malandro que é malandro se escondeu lá na Figueira.


O que é a figueira? A figueira era lá onde eles faziam os rituais. A figueira era onde eram feitas as gamelas nas quais se faziam as obrigações, embaixo daquela figueira eles faziam rituais de exus. Então, no caso, a figueira tem um significado na linha de exu. Esse ponto da linha de exu ele encontra com a linha de caboco, ele tá numa linha e tem que contar o ponto daquela linha: se ele tá na mata, ele tem de cantar da mata; se ele tá na linha de preto velho, tem que cantar na linha. A falange é assim; não são exus como muitos acham, não, eles são mestres. Tem um ponto assim:

Saravá, Saravá, todo filho de umbanda

Pra salvar sua banda, Zé Malandro chegou
Ele vem de Aruanda, ele é mestre nagô
Saravá, minha gente, Zé Malandro chegou.

Assim como Zé Malandro, Zé Pelintra, Zé Pretinho, Zé Brilhantina, Buscapé (que é o mais novo da falange), Francisco Pelintra, no caso eles formam uma falange. Os outros pegaram fama devido ao Zé Pelintra; tem uma prece do Zé Pelintra:


Salve seu Zé Pelintra, salve os malandros, salve a malandragem…

O seu Zé Malandro fala assim, que ele é igual o bambu, ele enverga, mas não quebra, é gira, como ele fala. Tem umas estórias que eles falam, que o Zé Pelintra tava querendo alguma coisa com a Maria Bonita e o Zé Pelintra com o Zé Malandro, estavam querendo pegar o Lampião na covardia. Tem até um ponto que ele canta:

Mulher, mulher, não tenha medo do seu marido

Mulher, mulher, não tenha medo do seu marido
Se ele é bom na faca, eu no facão
Ele é bom na reza, eu na oração
Eu sou Zé Malandro, ele é Lampião.





Eles sempre foram inimigos o Lampião com o Zé Pelintra, porque o Zé Pelintra queria ficar com a mulher do Lampião. E ele queria armar pra pegar o Lampião, que era muito perseguido. A história de Lampião é muito bonita. No final é que muito triste, mas ele ficou com a Maria Bonita. Ele morreu, mas ela não ficou pra ninguém, ficou com ele. Foi um amor muito bonito esse do Lampião com a Maria Bonita, eles eram muito temidos. No caso a falange naquela época era muito bonita. A idade do seu Zé Malandro é de 1843 e a idade do Zé Pelintra é de 1852. José Gomes da Silva ou Zé Pelintra. No sertão de Pernambuco, uma cidade muito sagrada porque foi dali que saiu a falange quase toda dos malandros, e se juntou com os outros malandros que já tinham no rio de janeiro também.

Alguns fregueses, alguma festa que eu vou, às vezes alguém fala: “Mas Zé Malandro?! Nunca vi Zé Malandro. Já vi Zé Pelintra.” Eu digo: “Não, Zé Malandro.” Falta eles procurarem se informar mais. Eu nunca tinha mostrado pra vocês esses pontos deles. As pessoas falam: “Esse ponto deve ser copiado.” Não, ele existe, como eu te mostrei. Eles tem que respeitar a entidade como se deve respeitar; a mim não importa se a pessoa cultua esse ou aquele; eu quero ver é que a pessoa ta cultuando o seu caboclo, o seu preto velho, ta recebendo seus orixás. Isso é que importante dentro da Umbanda, do Candomblé, que você está cultuando. Conselho que eu dou: Não desista! Nessa vida, ninguém vive só de vitória. Como diz a prece de Oxalá:

Que a paz de Oxalá renove nossas esperanças

Depois de erros e acertos, tristeza e alegrias,
Derrotas e vitórias, chegarei aos pés de Zambi maior
Êpa babá Oxalá!

Desconheço o Autor.

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